sábado, 23 de maio de 2015

Trago vos novidades em primeira mão.

Por Ana

Literalmente.
Se só por si os paus de selfie já se revelaram num instrumento a roçar o ridículo, então imaginem que inventaram o cúmulo do ridículo em dose dupla.
Portanto, uns norte-americanos com muito tempo livre decidiram que seria interessante criar um acessório para resolver o problema de quem viaja sozinho.
Trata-se então de um "selfie arm" , um pau de selfie, que tem um formato de um braço e de uma mão.


Agora perguntam-me: mas qual é afinal o objetivo disto?
Ao colocar o telemóvel numa das pontas, a pessoa aparenta estar a segurar a mão de alguém, como se estivesse acompanhada.
Aric Snee, o designer que teve esta genial ideia, diz que se baseou na premissa de que "ninguém quer estar sozinho enquanto tira fotos de si mesmo".
Mais estúpido que isto só o facto de este acessório, apesar de ainda estar em fase de testes, já estar a fazer um enorme sucesso por terras americanas.
Vamos fazer todos força para que isto não chegue a Portugal, sim?

fonte: http://goo.gl/nIJHAQ

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Geoffroy de Boismenu


 No Sex  Today

Um cavalheiro sem mácula sabe quando chega o momento de parar com os salamaleques, introduzir calão, e dizer-lhe para tirar a roupa.

De que falamos quando falamos de sexo?

Por Gaffe

Marta Penter
Debate-se amiúde a questão importantíssima que consiste em saber do que falamos quando falamos de sexo. 
A insistência com que nos acaloramos no avançar de hipotéticas respostas, leva-nos a um emaranhado confuso e desnecessariamente complicado de caminhos. 
Quando falamos de sexo, falamos sempre de homens, sejam quais forem os intervenientes. 
Todas as conversas masculinas acerca do assunto, começando provavelmente pela descrição do desejo que passa num doce balanço a caminho do mar, acabam na esmagadora maioria dos casos, na evocação seca de proezas sexuais dos poderosos machos. O alvo dos murmúrios masculinos é desviado e passamos a ouvir, mais cedo ou mais tarde, as narrativas mais ou menos escabrosas da forma como o Kamasutra foi usado e como se foi hábil, elástico e ginasticado na hora em que o H devia dar lugar ao G. 
Os homens, nestes campos de batalha, são naturalmente gabarolas e muitos deles bazófias. Esquecem demasiadas vezes que as suas histórias sexuais bem sucedidas são sempre consideradas exageros mitómanos pelos seus pares e que os seus fracassos - sussurrados em surdina -, vistos como o quotidiano rotineiro dos lençóis. Não há um rapaz que depois de ouvir o amigo fanfarrão a coroar a suas noites de louros iluminados pela tocha olímpica, não pense que a luz que se descreve é apenas a de um fósforo mal aceso. 

Não saber falar de amor VS Tourette Amoroso

Por Maria das Palavras



Deolinda - Eu não sei Falar de Amor



Não sei falar de amor. No fundo ninguém sabe. Os Deolinda acham que fizeram uma grande descoberta e cantam assim: eu não sei falar de amor. Mas tudo o que lhes oiço é fon fon fon.

É que para não se saber falar de amor basta que se exista. O amor nem é coisa para falar: é mais coisa para sentir, viver, toldar-nos a visão e uma data de outras tretas sentimentalistas que fulmina até as almas mais negras e pragmáticas em determinado momento da vida.


Falar de amor é uma coisa pateta. E como eu sou pateta, cá estou para vos falar disso.

Como é meu apanágio, hei-de desfazer mitos neste Desblogue, como os desfaço no meu blog-mãe. O primeiro é já este: não és especial porque as conversas de amor te engasgam, és só humano.

Venham cá que eu trato vos da saúde!

Por Uva Passa

Fui solenemente convidada para falar sobre saúde.
Para não fugir muito ao tema, da saúde, achei por bem contemplar temas que fugissem um pouco aquela boitola chata e mal-cheirosa chamada 'dieta' e 'perca de peso em 7 dias' e 'fique feia de magrérrima para a silly season' e 'cheire cocaína com precaução' e essas tretas todas que nos tentam impingir pelos olhos (e por outros orifícios), tentando convencer-nos que há outras formas de emagrecer que não sejam fechar a boca e passar fome de rato.
Caras amigas e caros amigos, aquilo que realmente nos faz perder algum peso, é o tamanho.
O segredo por detrás de uma figura saudável e perfeita é só e apenas o tamanho.
Se estão a pensar no tamanho do órgão sexual, seus depravados, estão certos. Toda a gente sabe que um pénis enorme, daqueles que dá para enrolar às pernas como as sandálias gregas, o hit do verão 2015, é na verdade a única forma natural, sem corantes e sem conservantes, que permite uma perda de peso commme il faut.
Como? A Uva explica.
Experimentem controlar uma piton e depois façam o mesmo exercício com uma reles minhoca.
A piton, enorme, obriga a uma ginástica de braços só comparável à máquina de supino na força máxima.
Controlar uma cobra hirta, queima calorias como quem queima a pedra de chamon. Dá-se ali um calor, e aquilo derrete-se tudo. Derreter calorias é o que todos queremos não é verdade?

quinta-feira, 21 de maio de 2015

A nádegas tantas

Por Patife




Normalmente fodo. Mas este fim de semana fui fodido. Estava em casa a entrar em parafuso, por isso precisei de ir à rua encontrar uma porca. Lá fui todo entretido beber uma cerveja ao Chiado enquanto aproveitei para apreciar as pandeiretas que passam. Para mim, estar sentado no Chiado é um pouco como um Tinder em tempo real mas concentrado em rabos. Vou-os deixando passar até surgir um que me desperte. E lá passou um todo empinado e fresco, como que a suplicar por uma palmada de qualidade superior. Uma gaja que anda na rua daquela maneira a espetar o rabo tem de estar ansiosa para que um tipo fique com vontade de lhe espetar o nabo. Não acredito noutra hipótese. Por isso lá fui, como cavalheiro atento a estas pequenas cortesias sociais. Deixar passar um rabo que se empina daquela maneira roçaria a falta de educação, quando a única coisa que quero roçar é aqui este totem fálico naquela altiva pandeireta. Assim que enceto conversa e a convido para sentar, a moça, sabida, manda-me logo baixar a bola. Que é logo coisa para eu levantar a tola. Era toda desempoeirada e a nádegas tantas lá quebrei as minhas regras, entreguei-me à sorte e deixei que ela conduzisse. Era forte e determinada. Sabia o que queria e o que fazia, trocámos mais um par de frases desnecessárias e lá fomos parar a casa dela. Tinha o quarto todo armado para uma pranchada das estouvadas, daquelas em que vale tudo e não sobra nada. Encolhi os ombros como quem diz: “Vim meter-me na toca da loba...” e por isso apressei-me a mostrar-lhe o meu capuchinho vermelho. Possessa da pachacha, a mafarrica lançou-se como uma loba faminta devorando-me como se não houvesse amanhã. Ainda estive para lhe perguntar, ao jeito dos clássicos contos de fodas: “Olha lá, porque é que tens uma pachacha tão grande?”. Mas achei mais sensato continuar a pinar. Estava eu entretido a contar as bombadas por minuto a que a senisga da moça estava a ser sujeita, quando me recordo que tinha sido a sua bilha que me tinha atiçado inicialmente. Deixar um rabo daqueles sem a atenção necessária seria, no mínimo, um ultraje sexual. Por isso, enchi o peito, segurei-lhe nas pegas, virei-a ao contrário e pensei “Agora é que esta porca torce o rabo”. Dada a intensidade da pinada, até os vizinhos fumaram um cigarro no fim, tal a selvajaria do meu entusiasmo.

As parvas de merda -O epílogo

Por Filipa Brás






costumam entrar para o clube das parvalhonas de merda ainda em crianças, é aquela cena do pepino em pequenino, estão a ver?, são as mais parvinhas, as mais irritantes e aborrecidas das crianças. Daquelas que dão vontade de encher de chapadões e orelhas de burro. Em adultas, repetem-se exaustivamente, mas sempre muito convictas, muito crentes de que são extremamente inteligentes, devido aos estudos, lá está, uma vez que o importante é parecerem inteligentes. Chega parecerem, não é preciso serem.
Na verdade, estudaram muito, aprenderam a ler e tudo, o que não quer dizer necessariamente que saibam alguma coisa sobre qualquer coisa. Não é preciso, pois aquilo dos estudos foi basicamente para poder torcer o nariz aos outros, com a sua informação poder matá-los de tédio, e mostrar-lhes assim, que elas é que sabem.
No clube das parvinhas e entre elas, o entendimento é perfeito. Difícil é quando lêem o que calham encontrar na bloga e comentam a primeira merda que se lhes aflora à geniosa cabecinha. Levam a mal quando lhes dizem que não têm sentido de humor, ou dificuldades de interpretação. Amuam e reclamam, porque, ora bem, elas estudaram. Se à partida isso não lhes garante ali e logo um determinado estatuto, então não sei nada sobre estatutos. Por vezes arrependem-se muito de sair daquele circulo do clube das parvas de merda, que como já disse, lá é que se entendem perfeitamente, lá é que massacram os leitores com relatos de merda, mas muito elegantes. São pelo mais do mesmo e se alguém as contraria, também são inconvenientes. Lá está, pertencem à estirpe do "eu é que sei", que consiste na afirmação e defesa da falta de interesse como denominador comum -as verdadeiras parva de merda sabem dizer isto em alemão e grego arcaico. Porque estudaram.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

WC masculino: toda a verdade

Este é o artigo que todos esperavam. O artigo que vem colocar o dedo na ferida e no próprio do pénis. Vamos contar toda a verdade. O Autor vai, inclusivamente, deixar que lhe botem a boca no trombone. Esperem, estou a misturar artigos. Esta última parte é para um estudo sobre música clássica. 
Seja como for, estou disposto a quebrar o segredo que os homens guardam há centenas de anos. 

"Ai o meu homem não, ele é um romântico, trabalha numa grande empresa, veste-se de fato e tudo. Estava capaz de apostar um felácio em como ele não sai da casa-de-banho sem lavar as mãos."
OK cara leitora. Chegou a hora de cumprir a promessa.

Pois é. Metade dos homens são ordinários. E não é no bom sentido, que para isso estou cá eu.
O estudo científico que fiz mostra claramente que não é pelo estatuto social que as mãos são lavadas após a mais básica das necessidades fisiológicas. Às vezes pelo contrário. 
Ai... o que eu "gosto" de ver um tipo armado em pintas, todo bem vestido, claramente numa saída para espalhar magia perante alguém, ir fazer um xixizinho, olhar-se ao espelho e sair sem lavar as mãos... Depois está a namorada/amante/pretendente à espera dele, de brilho nos olhos por ter um pintas tão lindo... Quase impagável. 

Mas isto sou eu, que às vezes, quando vou fazer o meu xixizinho da ordem e me lembro que já apertei a mão a uns quantos tipos durante o dia, até lavo as mãos antes (e depois) de segurar o menir. Ele merece. É um bem precioso. 
É que eles podem ser os porcos, mas eu tenho o diamante.

Imagem: www.adorocinema.com

Agora a sério... é mesmo para continuar!?

Por Factos de Treino




Há cerca de um ano (a vontade que eu tenho de dizer "atrás"...), fui convidado para me juntar a um grupo de ilustres desconhecidos que iriam contar histórias verdadeiras e que nos parecessem suficientemente interessantes para ser contadas num palco em frente a umas dezenas de pessoas. Lá me disseram que eu era o maior... que adoravam as coisas que eu escrevia... que haveria uma quantidade considerável de mulheres vuluptuosas nos bastidores disponíveis para alguns "favores de ocasião"... enfim, o normal.

E eu lá fui.

Quando chego, reparo que o grupo de ilustres desconhecidos era composto por actores, cantoras, publicitários afamados, comediantes com longas carreiras, etc... Ah! e eu. Sem perceber porque raio estava ali mas convencido que era tarde demais para recuar.

Praticamente um ano depois, convidam-me para escrever no Desblogue.
"Aah e tal... gostamos do que escreves, não temos mulheres vuluptuosas mas temos boa vontade, vamos ter mais uma malta simpática a escrever connosco, basta um texto pro semana, etc etc...". E o idiota cai novamente nesta cantiga.

Agora, tarde e más horas, em frente ao computador, cansado do trabalho que me ocupou até estas horas e sem qualquer ideia sobre o que escrever, resolvo passar os olhos pelo que se tem passado no tal Desblogue. E para quê!?? Para descobrir textos deliciosos, gente que sabe realmente escrever, malta que não anda cá a encher chouriços com histórias da treta... e eu.

Uma vez mais, sem perceber exactamente porquê.
Bom... resta-me começar a ler mais e melhor. Instruir a mente e o vocabulário para que possa impressionar já na próxima semana. A partir de agora só vou ler os grandes clássi... OOHH LÁÁÁÁÁ!!!! E não é que está a começar uma pornochachada daquelas manhosas num dos canais de cabo... huumm...

...os clássicos podem esperar.

terça-feira, 19 de maio de 2015

A Escola de Pregões








— Altesaaaaaaaaaaa!

O Infante estacou, abruptamente, à beira do promontório, braço periclitante no ar, perna direita esticada, esquerda em ângulo, qual ave flamingo, descrita nas crónicas, chapéu de abas largas na mão, metade do corpo ainda em terra, a outra, quase a voar.

A voar. Mommy Philippa obrigara-o a trazê-lo para Sagres, because of your fair skin, my dear. Mas Mommy não fazia any idea que Sagres é windy que dói, e o Infante mal punha o real sapato na rua, desatava a correr que nem um galináceo, atrás do sombreiro feito roda eólica, antes que ele planasse pelas arribas, e se fosse acamar junto aos percebes, que ele tanto apreciava, mas era no prato.

— Altesaaaaaaaaaaa! Os alunos aguardam Vossa presença para começar!

A voz fanhosa de Paio da Covilhã, seu aio em forma de odre, chamava-o para as proclamações, a hora em que alunos da escola liam seus pregões ou cantavam suas trovas, enquanto, outros, os ouvintes, ingeriam milho tufado às mãos cheias. Paio da Covilhã, que era arguto como um pintassilgo, havia notado que os alunos se dividiam entre os que besuntavam o milho com mel, adocicando-o, e outros que o polvilhavam com sal pulverizado, que ia bem com as bebidas de matar a bicheza das vísceras, logo pela manhã. Bom negócio faziam os alambiqueiros dos aldeões que também abasteciam o Bispo, o da Vila. Tomou nota, Paio, para referência futura.

Começada a leitura dos pregões, os alunos seguiam os seus jograis preferidos para os cantos da grande sala de instrução. Feras rivalidades se geravam entre os jograis, para levarem consigo o maior número de ouvintes. Vozearia e aplausos assinalavam o apreço pelas obras dos proclamadores, encómios, risadas, dislates, uma festa, no fim de cada pregão. Por vezes, num intervalo de silêncio da sala, ouvia-se uma voz anónima:

— Ò Evaristo, tens cá disto?

Fernão Evaristo espevitava a sua tonsurada cabeça, mas nunca chegou a descobrir o autor do desaforo — menos ainda perceber o que lhe faltaria.

As guerras entre fações rivais resultavam bastas vezes em batalhas de milhos, que voavam pela sala, e terminavam em lendária mixordice: alunos encobertos de mel, outros enrolados em sal, milho tufado pelo chão, e o Infante, a sacudir os detritos que haviam aterrado nas vastas abas do chapéu, tranquilo como um esquilo.

Na escola de Sagres, na hora do pregão, a do milho tufado, às nove sem falta, os navegantes aprendiam a arte de bem proclamar as suas trovas. Pois que mais haveria com que ocupar  longos meses a bordo, enquanto buscavam novos mundos para dar ao mundo, e sem suas damas, que ficavam no doce e casto recato do lar? A ideia tinha-a tido o Infante, que se lembrava de jogar ao pregões com os ínclitos irmãos e o Earl of Chelsea, o preceptor que havia vindo dos Reino de Inglaterra com Lady Philippa of Lancaster, aka as Mommy. E ao ver o entusiasmo dos alunos da escola, enquanto proclamando se atafulhavam de milho tufado, sonhava o Infante: «Um dia, cantando, se apregoará por toda a parte, se a tanto ajudar o engenho e a arte!.»

Faltava era um nome para esta nobre arte dos pregões. Magicava o Infante na questão, quando Paio da  Covilhã anunciou lá do fundo da sala, na sua voz de cana rachada, insuflada pelo ventre de barril:

— Altesaaaaaaaaaaa! Recebestes uma missiva do Earl of Chelsea!

Foi o berro de Paio da Covilhã que fez acender um candelabro na cabeça do Infante. Era isso mesmo! Já sabia agora que nome dar à nobre arte do pregão que, levado nas caravelas portuguesas, se espalharia, um dia, por todas as terras conhecidas e a descobrir, de aquém e além mar, a herança imortal daquela escola. Ia homenagear o seu próprio mestre-escola, seu ilustre preceptor, o Earl of Chelsea, de seu nome, Sir John. Sir John Blog.




Post gentilmente escrito por Xilre




Desporto de Cavalheiros

Por Onónimo Quiescente


Snooker

- 1 -

Ocasionalmente interrogo-me(1) se será ainda possível, nesta sociedade mediática, copiosamente impaciente e apressada, alheada num paroxismo de gratificação rápida e descartável, encontrar um desporto com a elegância e a tranquilidade de outras eras, um desporto de cavalheiros.


- 2 -

É óbvio que sim, tão óbvio que se torna incompreensível, quase exasperante, a predilecção, tempo e simulado afecto que os media devotam ao futebol profissional(2).

Pouco mediática, porventura felizmente, algo semelhante a uma cinematográfica série B, existe uma quase ignorada imensidão de modalidades desportivas que evocam a brandura da paciência tão ausente naquele sucedâneo corporativo, o pão e o vinho da ecúmena, consubstanciados em entretenimento ou histérica felicidade de rua, a triste catarse de vidas aparentemente incompletas na alegria tola que transbordam.

Desportos que entusiasmam intrinsecamente o público que lhes devote alguma atenção, na ausência do mitómano sectarismo adepto/vedeta, vagamente desligado da realidade, pensamento embotado, assertividade cedida, apoio incondicional de ídolos concebidos nos apertados cubículos de departamentos de marketing e plataformas comerciais, essa poeira ao vento que irrita o olhar(3).


- 3 -

Abandonando esta argumentação de antítese, e a aliteração forçada, um desporto que suscite o gáudio e o aplauso do público independentemente dos participantes, que nos surpreenda recordando o desportivismo das crianças entre amigos numa brincadeira que não pretendem terminar.

Mas, desses, qual deles se destaca pela inexistência de correria, esforço supérfluo e transpiração, e, no entanto, não se jogue sentado, exija um certo cuidado na indumentária e não entedie de sono(4)?


- 4 -

Salta ávido ao espírito: o Snooker.
O trato de cavalheiros, o aprumo da indumentária(5), a tranquilidade do gesto, a quietude de uma vespertina tertúlia na arcádia, a maravilhosa atitude do público. 

Não interessa se fulano se sicrano. É o jogo em si. Apoia-se secretamente aquele que segue um pouco atrás na pontuação para podermos ver mais, sempre mais, como se conseguíssemos escapar ao jugo do Tempo durante todas aquelas infindáveis horas que dura a partida. 

Sem vaias, sem assobios, saltos e gritos tresloucados de uma turba buliçosa, sem vidro partido, sem carne lacerada.
Enfim, um desporto que podemos ver na companhia dos filhos sem qualquer preocupação, embora se jogue com paus.


- 5 -

O momento, a multidão suspensa no rectângulo verde, a concentração na bola, na outra bola, no alinhamento com o buraco, na habilidade com o pau. Silêncio e reflexão. Respiração sustida. O toque do pau na bola, ora delicado ora vigoroso. Respiração ainda sustida. A antecipação. Movimento determinístico apesar de tenuemente caótico. O sorriso partilhado pelo trajecto ridículo que um inesperado ressalto origina. Aplausos ao jogo, aplausos ao homem, aplausos uns aos outros pela partilha do momento.

Algo que ecoa nos recessos da nossa mente desde o vetusto pleistoceno...

O campo verdejante, a aptidão no manejo da vara, a concentração nas bolas, o mítico buraco onde todo o pensamento cessa. O pau na bola, a bola no buraco. A preparação para a tacada seguinte.

O homem e o seu pau, público aplaudindo em júbilo.


- 6 -

E termina. Como quase tudo aquilo que é bom, termina demasiado depressa.

Venham esses ossos, sem segredinhos ao ouvido, apesar dos paus nas mãos.

Ainda há esperança…  


(Source: www1.skysports.com)
Shaun Murphy & Stuart Bingham
Betfred, World Snooker Championship, Crucible Theatre, Sheffield



- 7 -
… for a secret never to be told …

____________________

(1) – Sempre em momentos de necessidade de um análogo à serenidade da Antena 2 na cacofonia de feixes hertzianos, de um pequeno refúgio para a mente na confusão absurda do quotidiano, no rugido da banalidade dos solilóquios surdos de comentadores que preenchem os espaços mortos da comunicação social.

(2) – Palavra de agnóstico, sem clube, sem partido, sem religião. 

(3) – Interrogo-me, neste enlevo ocioso, se irei eventualmente louvar algum desporto ou se fico pela desamparada, e extemporânea, crítica social.

(4) – Entenda-se sempre a primeira pessoa do singular, e a óbvia exclusão do Xadrez, entre o declínio da guerra fria, a ascensão de máquinas com nome de filme pornográfico e de adolescentes de semblante estranho em tamanha concentração, com o agravo das alegações de correlação insignificante com o nível de inteligência. Há mérito no companheirismo do Ciclismo, que perde pela transpiração e bronzeado da construção civil, oh, como o sabe o quiescente, que participa em ambas as modalidades. Espera-se um mínimo: nunca enfadar tanto quanto os fastidiosos posts do onónimo, que nunca se decide se de encómio se de diatribe, se ambos, se nenhum, consequência de trauma de infância - tentou, sem sucesso diga-se, voar por meios próprios.

(5) – Falha um pouco no laço. No entanto, a gravata pendendo do pescoço seria (quase) impraticável.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Rubrica de desModa - Os creepers

Que o que não falta para aí é gente esquisita já todos sabemos, o pior é quando essa gente é uma ameaça para a saúde pública. 
Ultimamente cada vez que saio à noite vejo-me obrigada a envergar os meus estilosos sapatos de biqueira de aço, o que me causa algum transtorno, primeiro porque só possuo um par e não dá bem com toda a minha roupa de sair, segundo são pesados e tornam os meus passos de dança outrora perfeitamente executados em movimentações estranhas dignas daquele gajo que domina a pista do Lux às 06h ou da D.Joaquina no baile da Associação Recreativa de Alguidares de Baixo.

(Estão a ver como tenho razão? É que isto é praticamente fashion-terrorismo!)

E porque raio eu me vejo obrigada a ir de biqueira de aço para algum lado que não seja um local de obras? Porque causa do creepers minha gente! Ora nunca um nome encaixou tão bem num objecto como este, é que aquilo é tão horrendo que chega a ser assustador! 
Creepers clássicos da onda punk e do grunge.

Parece que as fashionistas de hoje foram ao busca-los aos grunge e ao punk de antigamente e cá estão eles para nos dificultar a vida. Revelação total? N-i-n-g-u-é-m fica elegante com uns trambolhos daqueles nos pés, ninguém! Nem sequer vos dá um ar alternativó-chic, da-vos só ar de parvas (ou parvos, que também já vi muito gajo com isto nos pés mas nem vamos por aí...).












As adaptações manhosas das fashionistas.
ph: Zara



Na verdade nem tudo é mau e se têm um exemplar deste tipo de calçado em casa, ele servirá para:
- Chegar aquela prateleira de cima do móvel da cozinha;
- Não molhar os pés quando passarem por uma poça de chuva;
- Flutuar muito bem durante umas cheias (aquela sola plana deve distribuir o peso do vosso corpo que é uma maravilha, esqueçam os stilletos!);
- Fazer de calço para aquela mesa do café que está sempre a abanar e a fazer-nos entornar pelo menos um golo da imperial;
- Arremessar à cabeça do ladrão em caso de assalto;
- Fazer perceber, por knockout, àquele gajo que não queremos que nos pague um copo;
- Fazer pontaria ao interruptor da luz do quarto quando já estamos deitados e nos esquecemos dela acesa;

O Tio e as riquezas de suas Mães

Por Isa




Foto de John Palatinus



Este é um cantinho de porquês blogosfericos. Aqui destacamos blogs que, com toda a legitimidade de o serem e mesmo morando em nossos corações, nos impõem, a cada post que escrevem, o holy grail de todas as interrogações: "Porquê?".
São blogs que nos marcam pelo enigma - quem não gosta de umas boas palavras-cruzadas, certo? - pelo deslumbre de toda uma construção de letras que, mesmo que em alguns casos casadas em palavras bonitas, denotativas de, pelo menos, uma escolaridade interessante, apresentável, talvez até um curso superior, nos confronta com a personalidade de quem  as tecla.

À laia de honras da casa, o pontapé de saída vai para Pipoco Mais Salgado (de nada tio, o gosto é meu) e tenho que confessar: nunca lhe consegui ler um post por inteiro. Ou porque me distraio com as vírgulas, ou porque me lembro de uma conta a quitar, ou é o cândido encantamento da sua identidade secreta que me é por demais hilário, ou porque às tantas me parece que está ali realmente a dizer nada. O que deveras me atrista, pois que me considero uma mulher romântica, queria mesmo muito conseguir ver as coisas pela panorâmica visível à grei de Evas comentistas, depositantes de suspiros - sim, quando desisto de mim nos textos, vou ler os comentários a ver se me retomo. Sou gaja, loira e de Cascais, gostava de pertencer, adoro "tambéns" - já que é  ali que lhes leio todo um conluio sobre o absolutamente nada. Aquilo é tipo uma coisa maçónica, até aí percebi eu. Agora o sentido, a lógica, a razão, o intuito, a coerência e o tempo gasto, é que me transcendem. Pensei, "Vejamos, há aqui uma aura de arrogância, caminhando, mão na mão, com o pretensiosismo inerente. Arrolo a leveza de conteúdos, constato a minha falta de interesse, então, ó que caralho, o que é que estas almas lhe vêem que eu não?! ...Porquê que eu não??" Introspeccionei-me. Agarrei o touro pelos cornos, desci ao mais fundo de minhas fraquezas, olhei-as de frente. A dôr foi exponencial, que o aceitar-mo-nos, por vezes, é por demais custoso. Enchi-me de coragem - aquilo foi que nem parir um filho - e conclui residir o cerne de tão intrincada questão no factor QI:
- Elas têm mais madeixas que eu. 
Facto.
[É digerir, e continuar  a ver um azul no céu. Ondas no mar, o periclitante brilho das estrelas, que, conjuntamente com o nascer do sol e a florzinha silvestre que teima desabrochar em chão desidratado, nos indiciam vida, para além de whatever]

O tio escreve, quiçá, sei lá. Manda com umas farpas ali, outras aqui, o tio lá tem as suas opiniões sobre coisas, inclusive até sobre coisas usualmente atribuídas à genética feminina, suponho que por uma questão de multi-funcionalismos e/ou derivados de omnipotências. É misterioso e parco nas respostas - uma qualquer pessoa mais mesquinha até poderia dizer que é porque ele não sabe mesmo dizer mai nada, que isto é uma cambada, já se sabe - mas tenho pra mim que é pra deixar no ar aquela aura de inatingível. Ele é um desafio ao intelecto. Amiúde, comunica por analogias - não que diga nada de por aí além, mas fica giro, é bem, que uma pessoa bem nunca vai directa ao assunto, cá agora disparates - e tem heterónimos, o que, em conjunto com o seu q.b. de altivez e petulância, lhe garantem uma assistência semelhante à da Corin Tellado em princípio de carreira, ou à do Zorro em fim da dita.

Às vezes sonho.  Em noites boas, sonho que estou de serviço ao bar no Tamariz. Na praia, lá estão elas, de pele castanha corroída pelo solário, dentes alvos à Hollywood e aparece o tio. Vem de nadador-salvador, rosto invisível, tanga de lycra, franja loira puxada para o lado, manual de "Dicas para se poder sair de Cascais, sem que Cascais saia nunca de si", na mão, o marcador em forma de bóia com o dizer Clube Náutico, assinala a página 323. Aproxima-se de suas madeixas-falantes e  diz-lhes "..'tão? ...coiso..?"
Elas riem muito e respondem "...'tão ...coiso..". Cansam-se de pensar e, sempre a sorrirem (muito), de copo de gin em mãos, começam um ritual estranho, que consiste em deambularem seus corpos ouro antigo, uns por entre os outros, alheados do resto do mundo, fascinados com tão só suas presenças, pacientemente esperando que um grão de areia lhes diga, em tom anasalado, que sentido darem a suas vidas. Normalmente acordo com a mesma aflição com que leio o Pipoco Mais Salgado. Agarro-me, contudo, ferozmente, a estes sinais, pois que  os interpreto como premonições. Creio piamente na chegada do sonho-Messias, aquele que não me fará despertar em suores, o que me deixará, finalmente, compreender toda uma essência que - para já, felizmente - me ultrapassa. Afinal de contas, quem é que anda aqui a contar encarnações, não é tio?

(Ahhh, Virgílio,que já dizias  tu: felix qui potuit rerum cognoscere causas).



E é tudo, desta vossa

Isa