terça-feira, 30 de junho de 2015

Dos incêndios

Por Gaffe



Para que um casamento tenha a chama (olímpica ou nem por isso) sempre erguida e activa, é necessário um certo jogo de cintura.


É atribuída à mulher, e na esmagadora maioria dos casos de forma injusta, a grandiosa e difícil tarefa de fazer com que a ligação não se pareça com um fósforo em fim de combustão.

Segundo as sábias, mulheres habituadas a pirómanos de pacotilha, há uma solução infalível para esta complicada manutenção. Se a labareda corre o risco de extinção e é a nós imputada a culpa, nós, raparigas espertas, temos na mão e nas testas dos maridos o combustível ideal: troquemos de amante.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Depois não digam que não sou vossa amiga.

Por Ana



Portugal tem leis parvas, disso todos sabemos. Bom, na verdade este país consegue ser parvo no geral e em muitos pontos em particular que para agora não dizem respeito mas que terei todo o gosto em debater convosco. 
Entre todas as leis e obrigações que nós temos, há sempre a história das licenças. A mim parece-me que hoje em dia já é preciso licença para tudo e mais alguma coisa. 
Ter licença parece que dá um certo estatuto. Ou então não, mas é importante transparecer isso para convencer as pessoas a largar a nota. 
Ora bem, eu como ando sempre atenta ao estado muitas vezes ridículo do nosso país, decidi que era importante alertar-vos se gostam de andar com as trouxas todas atrás quando vão fotografar ou filmar alguma coisa. 
Portanto, convido-vos a ler esta notícia e depois voltem aqui. 

Que tal vos pareceu? Fantástico, não é?
Não é que tenha muito a ver mas ainda há pouco tempo fui multada para os lados da baixa-chiado porque o ticket do estacionamento tinha passado três minutos da hora prevista. Três minutos! Gostava mesmo de ter apanhado o frustrado, provavelmente com mau sexo em casa e revoltado com a puta da vida, que me passou aquela multa. Gostava de lhe ter perguntado se escolhe propositadamente o pessoal que tem o tempo do ticket a terminar e se depois se esconde a observar a reacção da pessoa ao ver aquele envelope com o valor da multa. É, aquele cabrão deve ter orgasmos mentais a fazer isso. Só pode. Adiante. Isto para acentuar a ideia que em Portugal parece que arranjam sempre mil e uma formas diferentes de nos sacar o máximo dinheiro possível. É reconfortante ver como há sempre um alargado conjunto de pessoas que se unem em torno de um bem comum: lixar a vida do outro. O português é tão bom a fazer isso. Quer seja a passar multas de estacionamento ou a inventar licenças estúpidas. É tão parvo que parece inacreditável. Enfim, é o que temos. Não dizem que devemos valorizar o que temos? Pois. 

Problemas da Nação - O Gajo-Gaja





Eles existem em várias cores, formas e modelos.
Não se deixem enganar pelo exterior, a embalagem é muito diversa, pode vir em modo betinho, em modo bombado, em modo mitra, em modo cavaleiro andante e ainda em várias combinações entre si!
O perigo reside nisto mesmo, nunca o conseguimos identificar pelo aspecto, é portanto uma espécie de camuflagem muito bem sucedida perante o sexo feminino. 
E agora perguntam vocês, o que é afinal um gajo-gaja, Margarida? Pois que eu vos forneço uma definição composta por mim após muitos anos de pesquisa teórico-prática:

Gajo-Gaja
s. m. | adj. s. m.
substantivo masculino
Espécime com características genitais masculinas que apresente problemáticas do foro psicológico feminino.

É necessário esclarecer desde já que o Gajo-Gaja é completamente heterossexual, gosta é de maminhas e de pipis, não necessariamente por esta ordem!
É por isso que é tão perigoso e pode causar graves estragos. Nada temam! Este texto é serviço público para todas as mulheres deste país (sempre quis dizer isto!).

Ora então que perigos oferece um Gajo-Gaja? Vários, minhas caras. É que uma pessoa aproxima-se de um homem assim e até o acha uma pessoa interessante e só depois de largas horas de convívio percebe que ele pertence a esta malfadada espécie. Eles nunca se mostram à primeira, nem nunca admitem tal patologia, temos de ser nós a descobrir e a dar corda aos sapatos o quanto antes. Quando se confirma este diagnóstico é rodar os calcanhares e fugir dali o mais depressa possível!
Portanto basicamente este homem é o que tem aquelas características irritantes das nossas amigas, tipo o ser o não se calar, o ser complicadinho, o ser comichoso, tudo lhe fazer confusão, no fundo estes espécimes são perigosos porque uma pessoa nunca percebe bem o que eles querem, andam ali de volta, de volta, mas nunca se decidem. São aqueles que, principalmente na fase de engate, deixam sempre aquela esperançazinha, respondem sempre cordialmente como se nos metessem na prateleira, são aqueles que passados meses de conversa não se evolui para mais nada, e convenhamos que por muito divertido que isso possa ter, até porque uma pessoa vai tendo outros espécimes interesses com que se entreter, acaba por cansar, e é por isto que vos digo, minhas caras, quando detectarem um Gajo-Gaja é fugir! Dêem uso aquelas horas a suar na passadeira do ginásio e fujam em velocidade 15 para mais longe possível.
De nada.

sábado, 27 de junho de 2015

Da Loucura

Por Uva Passa

Jim Morrison 

Ao longo da minha vida fui muitas vezes louca, o que não quer dizer, faço notar, que o corpo me fosse indiferente.
No limite encarava a minha loucura como um abandono corporal, uma certa elevação mental, embora a loucura me transportasse para um estado muito nítido de excitação física.
A loucura artificial é uma espécie de ego experimental, uma experimentação de nós mesmos, baseada na liberdade de não sentir limites, nem mesmo os da pele.
Para mim a loucura foi sempre um espaço artificial, uma tontura, uma interrogação. Não queria saber se depois daquilo tudo, das inúmeras consequências que o meu comportamento rebarbativo provocava nos outros, pressionados sobretudo por preconceitos ligados ao sério e ao formal, poderiam trazer-me quando acordasse daquele estado.
Ninguém entende nada disto da Loucura. Ninguém quer saber de ir jantar com um amigo e de repente esse amigo se transformar num personagem desconhecido.
Muitas vezes decidi ficar louca. Não é uma decisão fácil, porque implica descer baixo de altas considerações, implica transformar a ideia que os outros têm de nós, implica saltar para cima da cama e desarranjar os lençóis, implica amarrotar a reputação.
Mas que quereis? Que aceite assim a imutabilidade da vida, que passe as minhas noites insone sem saber nada da loucura, sem saber como sou se estiver fora de mim?
E se um dia estiver mesmo fora de mim naturalmente? Não será isso uma verdadeira loucura? Não saber, ali, naquele estado, o que faço comigo?
Por tudo isto decidi decidir que sou um ser bígamo.
Movo-me entre dois mundos totalmente diferentes. Um em que suporto a vida, duro, não me mexo para não desarrumar, para não suscitar questões, para não me confundirem, para me sentir integrada, pertencida, e outro, construído, totalmente ausente, totalmente teatral, quase inverosímil, que me diverte, que me camufla. Sou louca, sou inglesa, sou rica, sou marinheira, médica, engenheira, estou perdida, fiquei esquecida.
O que se passou aqui?
A loucura passou por mim?
Tanto faz.
Fica apenas a evidência: o pior é a ressaca.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

É por isto que eu adoro o mundo da internet.

Por Ana









Uma nota importante para o facto de ter visto estas imagens no meu feed de notícias do facebook em pouco mais de cinco minutos. É ou não é maravilhoso?

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Quem não chora...

Por Patife


É com lamentável consternação que me apercebo que a maioria das mulheres que conheço acha que estou sempre embriagado. Já tinha reparado em algumas indirectas mas nunca enfiava a carapuça - talvez porque estava mais preocupado a ver se lhes enfiava a minha carapuça dentro da dentuça. Mas as piadolas alusivas ao facto do Patife estar sempre com os copos sucediam-se. Ainda dei espaço de manobra para a hipótese de ser um problema de género: "Eu sempre com os copos? Não queres dizer que eu estou sempre nas copas? Mamas copas C e D então estou sempre lá caído." Mas não. Ontem uma lá me explicou a razão que fundamenta tal ignóbil teoria. Parece que aqui o Patife está constantemente a dizer: "estou todo grosso" ou "estou com a cadela". E as ingénuas pensam que eu estou a manifestar a minha ebriedade. Mas não é isso, minhas queridas. Eu explico. Quando digo que estou grosso é porque o Pacheco mais parece um bajolo a latejar e quando digo que estou com a cadela é porque estou prestes a afiambrar uma qualquer enguia com o cio acabadinha de engatar. O Patife é um gajo muito directo no seu discurso. Se estou grosso e o digo abertamente isso é uma sugestão para começarem a aquecer os músculos vaginais, labiais e anais e quando digo que estou com uma cadela e não está mais ninguém por perto é porque a cadela és tu e quero comer-te à canzana. Não há lugar para erros de interpretação! Parece-me lógico e nunca imaginei que pudesse ser mal entendido. Mas pronto. Prometo ser ainda mais directo. Eu sei que o facto de estar sempre com um copo de whiskey na mão vos pode induzir em erro. É certo e sabido que gosto de beber. Mas isso é porque o Patife é tão egocêntrico que bebe em excesso apenas para sentir o mundo a girar à sua volta. E funciona. Mas quando expliquei isto à moça, a sua expressão facial encheu-se de desilusão e começou a chorar. É inevitável pensar em sexo oral com uma mulher a chorar à minha frente. Pois sei bem que quando desatam a chorar à minha frente me estão a dizer explicitamente que me querem mamar no palhaço. É o apogeu do "quem não chora não mama", que de indirectas percebo eu.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Certas e determinadas coisas, nomeadamente diversas #7 - Semi-nuas em prime-time

Por Factos de Treino

Chegou o Verão e com ele, as reportagens do telejornal a mostrar a corrida às praias e os mil motivos que, ano após ano, justificam uma peça exactamente igual à dos anos anteriores.
Mas seja qual for o motivo da dita peça, há coisas que não mudam.
Os jornalistas continuam a fazer perguntas sem qualquer interesse como “Então e a água, está fria?“; a chungaria continua a gostar de mostrar-se com uma corrida para o mar e uma chapa na primeira onda que apanham; senhoras gordas, com uma excitação que não lhes cabe nos fartos peitos,  gostam de mostrar ao mundo o que trouxeram no farnel; e, algo que nunca falha, mulheres que nem sequer sonham que estão a ser filmadas, aparecem de bikinis reduzidos em pleno telejornal.
Depois de escolherem uma praia pouco frequentada e garantir que era o local adequado para tirar a parte de cima… PIMBA! Mamas de fora no telejornal!
Do chefe tarado aos amigos do avô, do mecânico aos professores dos filhos, está tudo a ver aquele corpinho enquanto jantam em família.
Maravilha.

PS: Estas peças, também têm uma edição de Inverno. 
Normalmente passa em Janeiro e começa com: “Já neva na Serra da Estrela“.

Palavras e palavrões

Por Gaffe

Cuidado com o que dizeis, rapazes, no Verão escaldante dos lençóis.
Ao contrário do que se pensa, uma rapariga não tem orgasmos múltiplos quando ouve impropérios durante o sexo. Pode fingir, mas não é de todo agradável desatar a miar e a gemer para convencer o menino que está a desenvolver um trabalho meritório ao usar a língua indevidamente.


A primeira vez que se atreveram comigo, chegou a ser docinho, mas confesso que em caso de hipoglicemia, prefiro comer um papo de anjo a ter de papar um anjinho com aspirações a macho dominador e vagamente porco.

Chamaram-me "putinha traquina". Bastou. O caso não teve repercussão grave. O rapazinho foi descartado ali mesmo e antes mesmo de se sentir feliz, sem carta de recomendação, o que significa que não o emprestei às minhas amigas para que o usassem em caso mais urgente.

Não suporto que me considerem traquina!

terça-feira, 23 de junho de 2015

arbiter elegantiarum.

Por Onónimo Quiescente

http://www.osmais.com/wallpapers/201308/natureza-praia-bote-wallpaper.jpg
um sítio assim



~ Ah, as Psiquiatras. Bem te avisei. ~

De facto. Mas será difícil sair daqui e regressar apenas no outono…


«Não. Iria estragar o momento.»


“Música?”

«Hmm? É perfeitamente adequado ao clima e ao humor.»


O Ó aplaude, estridente nos meus pobres ouvidos, raios o partam. “Fazemos outra coisa?”

«Pfff. Só pelo entretenimento meio absorto. Ou para ensinar às crianças o significado da existência de regras. Em que planície, nobres ou plebeus, enfrentamos o nosso adversário com igual exército e seguindo as mesmas regras?»

«Ah, Q., a maior parte das ocasiões nem sequer sabemos quem é o adversário até ao último momento. E a tua aversão ao excesso de formalismo devia recordar-te que seguir regras é a maneira mais rápida de ser devorado.»


“Pelo pensamento estratégico?”

Volta o olhar melancólico para o horizonte. «Aprendi xadrez com a minha Mãe.»
Não falamos durante um momento.
«Magnífico tirocínio para a mente jovem. E para tardes de poesia na arcádia.»

“Almoçamos há pouco. Corpo e mente ainda lânguidos. Nada melhor que Gin e Xadrez.”

Esboço de um sorriso divertido, parcialmente escondido pelos óculos. Observo-me em ténue reflexo. É estranho.
«Sinceramente Q., preferia estar na água.»


“E., por favor não me deixes vencer novamente. Há uma certa dignidade nonchalant em dar o nosso melhor e ainda assim ser derrotado por um intelecto superior.”

~
Duas espreguiçadeiras na pequena plataforma sobre a paliçada. 
Brisa indolente à sombra de palmeiras. O roçagar de água em areia. 
Uma mesa de madeira. Duas bebidas geladas, talvez white lady. Não presto atenção.
Ela contempla o horizonte distante. 
Eu contemplo outro horizonte.
Ela sente-o e não reage, provocação implícita na atitude.
Organizo as peças sobre o tabuleiro de viagem, reservado, pela fotografia mais recente. 
Desconfio secretamente que Ela recorda sempre todas as posições.
Talvez evite o paternalismo por pudor. 
Começa assim…


(ae #1.1, Gin & Xadrez)