terça-feira, 7 de julho de 2015

Acho tudo muito interessante, que acho, mas para mim não!

Por Uva Passa

Agora tinha lá paciência para me enfiar dentro de uma redoma de vidro nas férias, eu?
Ahh e tal, é um hotel-design, nas montanhas, paredes de vidro, uma vista fabulosa para o rio, à noite o céu vê-se em toda a sua amplitude, uma coisa mesmo, mesmo diferente.
Estais todos loucos?
Então e as necessidades? Vêm por ali abaixo é? Ou guardamos numa caixinha, também de vidro, que faz pandant com o receptáculo da água de lavar os dentes?
É que às vezes os designer, se lhes dermos trela, eles desatam a fazer coisas sem jeiteira nenhuma.
Um hotel de vidro pendurado na montanhas do Perú? Só se for para a nidificação da passarada, que de resto deverão ser os únicos que lá conseguirão chegar sem ficarem depenados.
A sério pessoas, em bem sei que a imaginação humana é coisa séria, mas ... não brinquem comigo!








    Daqui @ http://www.naturavive.com/index.php/pt/

Sobre o mundo do ginásio.

Por Ana


Existem algumas coisas que me fazem perder toda e qualquer vontade, que já por si já é pouca, de meter os pés naquele sítio demoníaco. Hoje decido partilhar convosco algumas delas:

Os PTs: No início tinha a sua piada, um moço bem aparentado vir perguntar se precisamos de ajuda. Ao fim de alguns dias já começa a chatear um bocado. Passado uma semana já só apetece mandar o gajo à merda. Eu sei, eu sei que eles estão a fazer pela vida mas quantas veze será necessário dizer que não, não quero a porcaria de um plano personalizado que me custará dois ordenados mínimos ? 

A música: Por norma levo sempre o telemóvel ou um mp3 com as minhas próprias músicas. Mas no início isso não acontecia. E digo-vos, não é agradável fazer exercício com o Anselmo e afins como pano de fundo. 

Treinar: Por falar em fazer exercício, sinto-me completamente deslocada daquele ambiente quando digo que faço exercício. Sim, porque eles não fazem exercício...eles treinam. É todo um estatuto. 

Balneários: Há muita gente que se incomoda muito com as senhoras que andam com maminhas e outras coisas que tais ao léu, passeando-se pelo espaço balneário . Eu não. Não me incomoda nadinha, afinal de contas todas temos o mesmo...umas melhor servidas do que outras, cenas da vida. O que me faz uma certa confusão são as senhoras que saem a transpirar que nem verdadeiros atletas acabados de correr a maratona e não tomam banho. Como é possível? Ah, e a desculpa de que vão depois para casa e tomam de banho não é válida. Em muitos casos já as ouvi dizer que sim senhora, foi um belo treino e estavam cansadíssimas mas que tinham que se despachar para o trabalho que já estavam atrasadas, e ala que se faz tarde...Nojo, muito nojo.

Aulas de grupo: Eu confesso que gosto de aulas de grupo. Gosto de dançar, gosto daquelas aulas ótimas para relaxar e é muito mais fácil para mim ir a uma aula onde o instrutor consegue convencer-me a fazer aquele tipo de exercícios que muito dificilmente me conseguiria meter a fazer sozinha. Mas não consigo deixar de me sentir deslocada do grupo quando as mulheres falam de assuntos que me passam completamente ao lado. Calma, eu sou um animal social e sei estar em grupo sim? Mas digo-vos, nunca pensei que as aulas de grupo fossem a maior comunidade de fofoca que existe à face da terra. Já ouvi com cada história...Eu pergunto-me: como é possível aquelas gajas exporem detalhes daqueles a pessoas que não conhecem assim tão bem? Ou será que meia dúzia de aulas de zumba já as faz a todas amigas do peito? 

Bom, posto isto acredito que pensem que me baldo à grande ao espaço onde ando a largar umas notas razoáveis... e têm toda a razão. A sério que eu tento, mas quando a preguiça não se apodera de mim, estes cinco pontos fazem-me lembrar o quanto é bom ter o rabo alapado no sofá enquanto leio um livro. 

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Blogger do Mês - Bad Girl

Por Bad Girl






Vamos lá começar pelo princípio. A Filipa, amorosa, convidou-me para escrever neste blogue. Ora eu, que já não sou convidada para coisa nenhuma (longe vão os tempos em que queriam que eu experimentasse cremes, viagens e roupas de marcas fantásticas - nunca aconteceu), fiquei de olhos em bico com esta possibilidade, a possibilidade de brilhar fora do meu blogue. Sou muito dada a deslumbramentos. Adiante, aceitei o convite, da mesma forma que aceito os convites todos, hoje em dia, sobretudo os para sair à noite: digo que sim, tenciono ir, mas depois dá-me a preguiça e arranjo uma desculpa em bom, que é a de me doerem os joanetes, ou a de estar quase a começar o programa da Fátima Lopes. Enfim, reli o convite. Dava-me jeito que dissesse que era um post para 2019, era menina para me organizar até lá. Mas não. Já no fim do email da Filipa dizia "temos o facto de adorar a mesma raça de cães". Apesar de a minha raça preferida de cães ser aquela dos cães com focinho e que ladram, sei do que a Filipa fala: do sobrevalorizado buldogue francês. Após mais de meio ano de convívio com uma dessas, vou enumerar à Filipa as razões pelas quais não se deve ter buldogues franceses:
1 - Camiões. Dormiriam vocês com um camião dentro de casa, com o motor a funcionar? Não, pois não? Um BF não ressona menos do que isso. Às vezes estou na cama e cutuco MQT para ele parar de ressonar. Enquanto ele reclama por eu o ter acordado eu percebo que o ruído não vem dali. Está um piso abaixo.
2 - Esgotos. Viveriam vocês num esgoto? Não, pois não? Pois. O BF não só dá puns que ocupam uma sala como permanece indiferente, como se o pum tivesse vindo de um de nós. 
3 - Esgotos. Não, não me enganei. Julgo que continuam a não querer viver num esgoto, certo? É que o BF come cocó. Próprio. Uma espécie de circuito fechado. E tudo fica muito mais interessante porque o BF adora dar beijinhos. 
4 - Sandálias, chinelos. Gostam de os usar? Esqueçam. Não há coisa mais interessante para um BF do que um pezinho descalço. Muito beijo quer o bicho dar nos pés. Com a mesma boca que comeu cocó.
5 - Paredes. Quão importante é uma parede para vocês? É que o BF rói. Genericamente. Escadas, rodapés, pés de móveis e... Paredes. 
6 - Guerra. O BF é um bicho que está sempre preparado para a guerra. Pastor alemão? Quantos são? Venham eles! Pit Bull? Tu e mais quantos? Rotweiller? Como disso ao pequeno-almoço. 
Posto isto, se querem um cão que ressona, dá puns, come cocó, ataca pés, paredes e outros cães, então o BF é o cão ideal para vocês. 


Post gentilmente escrito por Bad

Só mais uma vez...





O homens é que têm de dar o primeiro passo? Enviar a primeira mensagem? Sugerir o primeiro café?
Caríssimas, se estiverem à espera que muitos deles façam isto, espero que tenham muito tempo disponível!
A maioria dos homens são muito espertos para assuntos da bola e coisas que tais mas no que toca a desvendar as intenções básicas de uma mulher, nem por isso. Estão a ver aquela altura em que vocês pensam que já foram muito explicitas que ele já percebeu de certeza absolutinha que se ele quiser são dois a querer? Já mandaram todas as dicas possíveis, todas as indirectas, até algumas mais escabrosas mas mesmo assim nada de avanços da outra parte? Pois é. Eles não perceberam mesmo nada! A solução? Sejam directas.
Falem e escrevam aquilo que querem, vá não é preciso exagerar e falar em filhos e casamento antes do primeiro beijo, 'tá? Mas não dêem a perceber que gostavam de estar com ele, digam-lhe mesmo e só assim terão a certeza se ele quer ou não. 
Eu cá não sou pessoa de passar a vida a pensar em "se"s, prefiro insistir e dizer as coisas com as letrinhas todas e ouvir um não. Ok, neste parte nunca é bem um não, não se iludam, eles nunca usam bem essa palavra, porque afinal de contas eles gostam de ter uma prateleira bem arrumada, não vá mais tarde ou mais cedo ser preciso ir lá buscar qualquer coisinha (vulgo vocês) para se entreterem nas horas vagas (atenção que a ausência de resposta também é uma bela resposta!) E essa parte já depende de cada pessoa, para mim não há prateleiras, quem quer, não quis quando pode? Azar! O comboio partiu para outra estação e jamais volta atrás!
Mas prefiro que quando o comboio parta, parta com a certeza que disse o que tinha a dizer, insisti o que tinha a insistir e não fiquei à espera que ele enviasse mensagem primeiro ou que fosse ele a convidar-me para um café. (Ok, aqui excluo os jantares. Isso já é coisa mais séria!) Parto com a certeza que fiz todos os possíveis e aquilo não resultou...
O problema é saber quando desistir porque muita vezes já se está tão vidrado que entramos no loop só mais uma mensagem, só mais um telefonema, só mais uma vez...Isto piora substancialmente com aquela situação da prateleira porque basicamente ele nunca responde mal ou deixa de responder, não vá um dia destes estar aborrecido e precisar de ir à prateleira!
Então e depois de partir? Passado um tempo, quando perceber que insisti demais e fui uma chata do caraças? Ora aí não se pode voltar atrás (o comboio não tem marcha atrás, remember?), aí mandam um cartinha (vulgo sms, whatsapp, fb messenger) a redimirem-se da vossa situação anterior e um beijo e um queijo.


Disclaimer: Este estudo comportamental aplica-se a jovens maiores de 25/30...toda a gente saber que até aos 30 tudo o que vem à rede é peixe!

sábado, 4 de julho de 2015

Blogo-Batota



Proibido não é! 
Na blogosfera como na vida não há proibições, mas tens de pagar um preço pornográfico que não permita, jamais, que o encantamento se quebre.
Este preço é o que te dá, entre milhões de blogs comezinhos, de má literatura, de má e inverosímil publicidade, a bóia, ou se quiseres, a superação, de todos os teus percalços, de todos os teus 'maus dias, 'maus posts' e 'respostas defensivas a perguntas simples' que põe a descoberto a tua batota.
É a qualidade e a verosimilhança que imprimes aquilo que vendes, que dizes, que apregoas, que publicitas, que finalmente te colocará acima de qualquer suspeita, de qualquer testa franzida, de qualquer desconfiança, livrando-te da culpa de que foste mesmo tu que cortaste a cabeça ao pobre cliente malvado, e que o colocaste dentro do rio, sem complacências,  com uma pedra presa na canela.
Onde é que isso se vende? Em que armazém posso eu encomendar a qualidade avassaladora que me permite seguir caminhando por cima das águas, enquanto os outros se afundam num mar de mentiras e batotas baratas?
Depende muito dos cúmplices que entendes contratar para manteres o álibi de te colocar dali para fora, de fora do crime que na verdade andas a cometer todos os dias, sobre a capa da qualidade que sabes bem que não tens.
Mas proibido não é!
A verosimilhança que tentas imprimir às coisas que diariamente te propões a partilhar, essa vontade cega que tens, e deves ter - afinal é um negócio - de persuadir quem te lê, e que somos nós todos, os do outro lado, os bons e os maus, tens de contar com isso, os leitores exigentes e os banais, os informados e os ignorantes, os curiosos e sábios e as debulhadoras que tudo engolem; tens de a saber merecer, porque de uma forma geral nós, os maus, desconfiamos muito das coincidências da batota encapotada, mesmo que a aceitemos como garantida em certos espaços, alguns até bastante competentes.
Acontece que toda a gente, pelo menos os minimamente evoluídos, sabe, não te iludas, quando vai ao teu espetáculo de marionetas, abstrair-se dos fios. 
Sabemos todos muito bem o que são marionetas e que estão presas por fios.
Proibido não é! 
Um espetáculo de marionetas é sem dúvida de grande perícia.
Não queiras é fazer das marionetas gente de verdade, não queiras é enganar o teu público dizendo que aquilo que vemos, os fios e aquela parafernália toda que tão bem montaste, são reais, porque se souberes imprimir uma qualidade, uma beleza, um cunho, ao teu Espetáculo de Marionetas, terás pessoas que embora saibam que aquilo não é real, saibam também com o que podem contar.
E o encantamento não se quebra.
Mas a blogo-batota está-te no sangue. Está no sangue de todos nós, na bloga como na vida. 
Mas se calhar já estava mais do que na hora de assumires que muito daquilo que apregoas está mesmo, mesmo, preso por fios.
E rematando metaforicamente, a boa literatura é disso um grande exemplo. Toda a gente sabe que a história não é real, que é totalmente ficcionada, que não há maneira de fazer corresponder aquilo à realidade, mas o livro é um best seller, vendido em todos os países, uma coisa muito boa.
Blogo-batota sim, mas com qualidade.
E onde é que isso se vende?

quinta-feira, 2 de julho de 2015

SMS a quanto obrigas

Por Patife



No outro dia conheci uma safardana que me tinha em boa conta. Pediu-me o número de telefone e eu dei-lhe, até porque também queria que ela me tivesse em boa cona. Gosto muito destas simetrias fonéticas. O pior é que no dia seguinte, logo pela manhã, ela enviou-me uma mensagem de telemóvel que estava escrita com "k" no lugar dos "c" e dos "q". Se há coisa capaz de me tirar o tesão é uma mensagem cheia de "k". Não gosto de pessoas preguiçosas a escrever e estabeleço logo uma correlação directa com a sua voracidade sexual. Já que penso nisto, confesso que também não vou muito à bola com abreviaturas. Mas um passo de cada vez. Como ainda era cedo e demorei algum tempo a processar o "k" que surgia amiúde pelo SMS, acabei por não responder nas horas seguintes, coisa que deve ter deixado a rapariga toda libidinosa da rata. As mensagens que se sucederam foram altamente provocantes e oferecidas. Mas, lá está, vinham carregadas de "k" e abreviaturas, o que só me fez querer fugir com o nabo à senisga. Mas depois voltei a pensar no assunto, que é como quem diz voltei a pensar em enfiar-lhe o presunto, e cheguei à conclusão que estava a ser um nazi do SMS. Por isso deixei-me de merdas e papei-lhe akela kona toda. No final, pedi-lhe encarecidamente para nunca mais me enviar uma mensagem, ou ligar sequer, até porque a pinar é que a gente se entende. E depois de a papar uma vez, já nada mais se aprende.

A publicidade nua e crua nos blogues

Por Filipa Brás

As bloggers que se deixam apanhar nas teias da publicidade pensam que detêm o monopólio nesta mania que as pessoas têm, que é a de pensar.
Acham que qualquer peido que lhes é dado a publicitar, lá porque não sai de pantufas mas sim de sola vermelha e de tacão omnipresente, é aceite sem questionar coisas tão flagrantes quanto o facto de, por exemplo, publicitarem determinado item toooooodas ao mesmo tempo. Acho curioso o timing de quem acha que a sua palavra é lei nisto de convencer o próximo. O apaneleirado e inconsequente leitor vê-se assim apanhado no meio de um patético brainstorming e é levado a crer, ingénuo, que as opiniões são genuínas e que tudo não passou de uma feliz coincidência fruto da qualidade do produto. Todas as bloggers influentes gostam do mesmo produto e calha a gostar dele todas ao mesmo tempo, é muito amor. E quando gostam todas do mesmo produto que só num determinado sítio -que todas conhecem e amam de paixão- é que é bom?, aí, meus amigos, temos um yin e um yang em perfeita comunhão, tão encaixadinhos que deixam de ser dois, numa união existente somente nos céus, em forma de asas de anjos, um perfect match que não se deve ignorar. 

Claro que a publicidade não funciona se não existir quem vá em todas as cantigas: temos do lado errado da vida, as leitoras que não podem ver um penico, aquele que a blogger enquadrou enquanto eternizava fotograficamente mais um look de merda, que entram em delírio e não descansam enquanto ela, orgulhosa porque o seu penico é o melhor de todos, lhes confessa que já é antigo, mas que conhece um sítio que...bom, o resto está ao alcance de quem lhe quiser chegar. 
No final das contas, existem leitoras/compradoras que fazem tudo isto ser uma win-win situation em vez de uma stupid situation: leitoras que precisam da internet e da influência de um desconhecido para perceber que tipo de produtos precisam, merecem este tipo de publicidade tão desleal.
Tudo está bem quando tudo acaba bem, não percebo mesmo a celeuma que este assunto ateia, de cada vez que vem à baila.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

5 Regras para Lidar com Chefes Horríveis

Por Maria das Palavras

Pixabay Free Image: BOSS | Link: http://pixabay.com/en/boss-executive-businesswoman-454867/


  1. Não percas a noção que é ele que manda, por isso nunca faças um manguito quando ele ainda pode ver. Cuidado com os reflexos nos vidros - mesmo quando ele está de costas podes não estar seguro.
  2. Quando fizeres uma chamada para a mulher dele a fingir que és a/o amante para lhe lixares a vida, pelamordasanta, põe o número anónimo. E testa primeiro!
  3. Não caias no erro de querer melhorar as coisas por via da bajulação ou tornando-te amigo dele. Se ele é odioso agora, imagina depois de lhe negares companhia para beber um copo (todos os dias) ou irem ver o último show da Fabiana.
  4. Lembra-te que a sua prepotência provém, muito provavelmente, da frustração na vida profissional: a mulher já tem as mamas caídas e não lhe traz cervejas com um sorriso nos lábios, os filhos adolescentes deixaram de ver um herói no homem careca de meia-idade e sacam cigarros do bolso, a casa já se anda a pagar há 20 anos e ainda só deu conta dos juros...Olha-o com compaixão: um dia podes ser tu, mas com mais barriga e menos dinheiro.
  5. Não te demitas por causa dele, se for ele a única coisa errada com a tua vida profissional (salários à parte) e for tolerável q.b.. É que podes cruzar-te a seguir com o diabo que faz esse parecer um cordeirinho. E nessa altura o anterior já não te vai querer, nem que dances para ele como a Fabiana.

    Se o teu chefe for uma mulher não há regras que se apliquem. Comporta-te ou muda-te: estás lixado.

Certas e determinadas coisas, nomeadamente diversas #8 - Fica só entre nós

Por Factos de Treino

Gosto da dinâmica das relações entre casais e respectivos amigos. Acho piada aquele cinismo saudável que nos faz acreditar que a nossa cara metade não vai contar tudo às amigas e, simultaneamente, deixa as amigas convencidas de que não sabemos toda a sua vida privada ao mais ínfimo pormenor.
Sabem do que estou a falar, certo!?? Todos nós, estamos permanentemente num dos lados. Ou a ouvir a história ou a ser a história.
Podem sorrir… eu sei que neste momento estão a pensar naquilo que sabem e não deviam saber. Mas lembrem-se… está alguém a sorrir por saber “aquilo que não devia” sobre vocês.
Se calhar perderam o sorriso, certo!?
Senhoras, aquela “one night stand” onde tudo aconteceu e que contaram apenas à melhor amiga… contaram também ao namorado dela! Senhores, aquele momento difícil em que proferiram o clássico “…isto nunca me tinha acontecido“, ficou guardado na vossa intimidade… e na das amigas dela também.

Entretanto, ali por perto…

Por Gajo Porreiro

http://imagens5.publico.pt/imagens.aspx/871445?tp=UH&db=IMAGENS



Ermelinda sentiu um calor estranho nas pernas e levantou-se de um salto. “Outra vez não, foda-se!” 
A incontinência estava a dar-lhe cabo da vida. Na mercearia onde trabalhava de manhã, a água das alfaces espalhada pelo chão e o cheiro da fruta e do bacalhau davam para disfarçar, mas já tinha passado duas ou três vergonhas que não lhe saíam da memória. A primeira vez foi na Segurança Social, enquanto esperava pelo impresso do RSI. Não fossem as fraldas das gémeas e a coisa podia ter corrido muito pior. A segunda vez, sem dúvida a mais embaraçosa, aconteceu enquanto atendia um cliente, no part-time que faz às quartas e sextas no Monsanto. O homem, camionista Ucraniano de poucas falas, não ficou nada contente de ver as calças mijadas e, além de não pagar, ainda lhe pregou dois sopapos que lhe danificaram irremediavelmente a placa acrílica superior, deixando bem à vista a degradação física a que Ermelinda tinha chegado devido ao uso continuado de drogas pesadas.

“Puta que pariu esta vida!”, Desabafou enquanto se limpava ao lençol da cama onde ainda dormiam a irmã e o cunhado, ambos desempregados e companheiros de dependência. Bebeu um trago de cerveja morna, acendeu um cigarro e foi preparar os biberões.

Era dia de visita conjugal e Ermelinda queria ir bem arranjada. Óscar já não era o homem de outros tempos e precisava de se sentir inspirado para que aquela meia hora fosse proveitosa. Além disso, um dos guardas era cliente habitual das sextas-feiras e nestes tempos de crise não podia arriscar perdê-lo. O cunhado ainda lhe devia duas ‘chuchas’ que ela não estava a ver maneira de receber.

Despediu-se das gémeas e dos dois filhos mais velhos e foi apanhar o autocarro. Passou pelo café e comprou dois maços de SG Ventil, marca preferida de Óscar. Ermelinda sempre foi muito dedicada ao companheiro, mesmo quando ele, toldado pela bebida e pelo ciúme, lhe batia, a injuriava e ameaçava de morte. Nunca colocou a hipótese de o abandonar. Afinal, tinha sido o seu primeiro amor (estavam juntos desde que os pais a entregaram a Óscar, tinha ela treze anos) e uma relação destas é para a vida. Tem de ser.

Como o autocarro ia quase vazio, aproveitou para meter na veia os vinte euros que tinha comprado à irmã e, depois de guardar a parafernália no fundo da mala, encostou a cabeça à janela e adormeceu.

Eram quatro e vinte quando chegou a Alcoentre. Depois de ter passado pelos habituais procedimentos de segurança, entrou no quarto e correu a abraçar Óscar. Falaram durante uns minutos até que ele lhe disse que estava pronto e lhe pediu para tirar a roupa. O sexo foi rápido e cru, sem preliminares ou beijos. Fumaram um cigarro e Ermelinda despediu-se com um “Até para a semana, môr.”

Chegou a casa já tarde, devido a um acidente na N10 que obrigou a que o autocarro estivesse parado mais de hora e meia. Cansada e a ressacar, foi ao esconderijo da irmã ver se havia uma dose que lhe desse para aguentar até de manhã. Não havia. Saiu e foi ter com um dos traficantes da rua, oferecendo-lhe favores sexuais em troca de mais umas horas de descanso.

Voltou meia hora depois, para encontrar a polícia em casa, vasculhando minuciosamente os trinta metros quadrados do T0 onde viviam, à procura de droga, armas ou material roubado. As crianças choravam enquanto o cunhado, algemado, chamava “cabrões de merda” aos agentes, que lhe iam dando uns calduços para o acalmar. Como não encontraram nada, foram-se embora mas levaram-no acusado de desrespeito e injúrias às autoridades.

Ermelinda atirou para o chão um monte de roupa suja para libertar o canto do sofá e sentou-se, chamando a si os pequenos, que entretanto se tinham calado. Nesse momento entrou a irmã, trazendo um bolo de arroz decorado com uma vela de aniversário.

“Parabéns, Mana! Vinte aninhos, hein? 'Tás feita uma senhora, tu.”

terça-feira, 30 de junho de 2015

A Loja dos Trezentos, 1.º acto

Por Onónimo Quiescente

O Caso Grego

Q. Boa tarde caros ouvintes. Temos hoje em antena o conceituado especialista em assuntos internacionais Dr. Ó-Nónimo. Boa tarde caro doutor. 
Ó. Boa tarde meu rapaz. Agradeço a pronúncia correcta do meu nome, que é comummente confundido com U-Nónimo, meu primo em 3.º grau do lado da mãe.

Q. Pedia ao nosso convidado o favor se apresentar, uma vez que se trata de uma estreia em antena.

Ó. Como no seminário, ahahah. Bem, juntei os créditos e tirei duas licenciaturas na Lusófona.

Q. Créditos de bolonha?
Ó. Não meu caro rapaz, créditos que tinha no BES, e em boa hora o fiz. Concluí e apresentei num domingo à tarde a tese *Sexo, forrobodó, e finanças Gregas* e a tese *Uma correlação entre a população de esquilos e o incêndio florestal em Portugal*.
Por esta via sou também consultor da protecção civil para o assunto do malditos esquilos, e do Bruno de Carvalho em relação ao caso Jesus. Aliás liguei-lhe ainda há pouco a tranquilizá-lo, se o Jesus não puder ser inscrito como treinador principal entra como oráculo.

Dos incêndios

Por Gaffe



Para que um casamento tenha a chama (olímpica ou nem por isso) sempre erguida e activa, é necessário um certo jogo de cintura.


É atribuída à mulher, e na esmagadora maioria dos casos de forma injusta, a grandiosa e difícil tarefa de fazer com que a ligação não se pareça com um fósforo em fim de combustão.

Segundo as sábias, mulheres habituadas a pirómanos de pacotilha, há uma solução infalível para esta complicada manutenção. Se a labareda corre o risco de extinção e é a nós imputada a culpa, nós, raparigas espertas, temos na mão e nas testas dos maridos o combustível ideal: troquemos de amante.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Depois não digam que não sou vossa amiga.

Por Ana



Portugal tem leis parvas, disso todos sabemos. Bom, na verdade este país consegue ser parvo no geral e em muitos pontos em particular que para agora não dizem respeito mas que terei todo o gosto em debater convosco. 
Entre todas as leis e obrigações que nós temos, há sempre a história das licenças. A mim parece-me que hoje em dia já é preciso licença para tudo e mais alguma coisa. 
Ter licença parece que dá um certo estatuto. Ou então não, mas é importante transparecer isso para convencer as pessoas a largar a nota. 
Ora bem, eu como ando sempre atenta ao estado muitas vezes ridículo do nosso país, decidi que era importante alertar-vos se gostam de andar com as trouxas todas atrás quando vão fotografar ou filmar alguma coisa. 
Portanto, convido-vos a ler esta notícia e depois voltem aqui. 

Que tal vos pareceu? Fantástico, não é?
Não é que tenha muito a ver mas ainda há pouco tempo fui multada para os lados da baixa-chiado porque o ticket do estacionamento tinha passado três minutos da hora prevista. Três minutos! Gostava mesmo de ter apanhado o frustrado, provavelmente com mau sexo em casa e revoltado com a puta da vida, que me passou aquela multa. Gostava de lhe ter perguntado se escolhe propositadamente o pessoal que tem o tempo do ticket a terminar e se depois se esconde a observar a reacção da pessoa ao ver aquele envelope com o valor da multa. É, aquele cabrão deve ter orgasmos mentais a fazer isso. Só pode. Adiante. Isto para acentuar a ideia que em Portugal parece que arranjam sempre mil e uma formas diferentes de nos sacar o máximo dinheiro possível. É reconfortante ver como há sempre um alargado conjunto de pessoas que se unem em torno de um bem comum: lixar a vida do outro. O português é tão bom a fazer isso. Quer seja a passar multas de estacionamento ou a inventar licenças estúpidas. É tão parvo que parece inacreditável. Enfim, é o que temos. Não dizem que devemos valorizar o que temos? Pois. 

Problemas da Nação - O Gajo-Gaja





Eles existem em várias cores, formas e modelos.
Não se deixem enganar pelo exterior, a embalagem é muito diversa, pode vir em modo betinho, em modo bombado, em modo mitra, em modo cavaleiro andante e ainda em várias combinações entre si!
O perigo reside nisto mesmo, nunca o conseguimos identificar pelo aspecto, é portanto uma espécie de camuflagem muito bem sucedida perante o sexo feminino. 
E agora perguntam vocês, o que é afinal um gajo-gaja, Margarida? Pois que eu vos forneço uma definição composta por mim após muitos anos de pesquisa teórico-prática:

Gajo-Gaja
s. m. | adj. s. m.
substantivo masculino
Espécime com características genitais masculinas que apresente problemáticas do foro psicológico feminino.

É necessário esclarecer desde já que o Gajo-Gaja é completamente heterossexual, gosta é de maminhas e de pipis, não necessariamente por esta ordem!
É por isso que é tão perigoso e pode causar graves estragos. Nada temam! Este texto é serviço público para todas as mulheres deste país (sempre quis dizer isto!).

Ora então que perigos oferece um Gajo-Gaja? Vários, minhas caras. É que uma pessoa aproxima-se de um homem assim e até o acha uma pessoa interessante e só depois de largas horas de convívio percebe que ele pertence a esta malfadada espécie. Eles nunca se mostram à primeira, nem nunca admitem tal patologia, temos de ser nós a descobrir e a dar corda aos sapatos o quanto antes. Quando se confirma este diagnóstico é rodar os calcanhares e fugir dali o mais depressa possível!
Portanto basicamente este homem é o que tem aquelas características irritantes das nossas amigas, tipo o ser o não se calar, o ser complicadinho, o ser comichoso, tudo lhe fazer confusão, no fundo estes espécimes são perigosos porque uma pessoa nunca percebe bem o que eles querem, andam ali de volta, de volta, mas nunca se decidem. São aqueles que, principalmente na fase de engate, deixam sempre aquela esperançazinha, respondem sempre cordialmente como se nos metessem na prateleira, são aqueles que passados meses de conversa não se evolui para mais nada, e convenhamos que por muito divertido que isso possa ter, até porque uma pessoa vai tendo outros espécimes interesses com que se entreter, acaba por cansar, e é por isto que vos digo, minhas caras, quando detectarem um Gajo-Gaja é fugir! Dêem uso aquelas horas a suar na passadeira do ginásio e fujam em velocidade 15 para mais longe possível.
De nada.

sábado, 27 de junho de 2015

Da Loucura

Por Uva Passa

Jim Morrison 

Ao longo da minha vida fui muitas vezes louca, o que não quer dizer, faço notar, que o corpo me fosse indiferente.
No limite encarava a minha loucura como um abandono corporal, uma certa elevação mental, embora a loucura me transportasse para um estado muito nítido de excitação física.
A loucura artificial é uma espécie de ego experimental, uma experimentação de nós mesmos, baseada na liberdade de não sentir limites, nem mesmo os da pele.
Para mim a loucura foi sempre um espaço artificial, uma tontura, uma interrogação. Não queria saber se depois daquilo tudo, das inúmeras consequências que o meu comportamento rebarbativo provocava nos outros, pressionados sobretudo por preconceitos ligados ao sério e ao formal, poderiam trazer-me quando acordasse daquele estado.
Ninguém entende nada disto da Loucura. Ninguém quer saber de ir jantar com um amigo e de repente esse amigo se transformar num personagem desconhecido.
Muitas vezes decidi ficar louca. Não é uma decisão fácil, porque implica descer baixo de altas considerações, implica transformar a ideia que os outros têm de nós, implica saltar para cima da cama e desarranjar os lençóis, implica amarrotar a reputação.
Mas que quereis? Que aceite assim a imutabilidade da vida, que passe as minhas noites insone sem saber nada da loucura, sem saber como sou se estiver fora de mim?
E se um dia estiver mesmo fora de mim naturalmente? Não será isso uma verdadeira loucura? Não saber, ali, naquele estado, o que faço comigo?
Por tudo isto decidi decidir que sou um ser bígamo.
Movo-me entre dois mundos totalmente diferentes. Um em que suporto a vida, duro, não me mexo para não desarrumar, para não suscitar questões, para não me confundirem, para me sentir integrada, pertencida, e outro, construído, totalmente ausente, totalmente teatral, quase inverosímil, que me diverte, que me camufla. Sou louca, sou inglesa, sou rica, sou marinheira, médica, engenheira, estou perdida, fiquei esquecida.
O que se passou aqui?
A loucura passou por mim?
Tanto faz.
Fica apenas a evidência: o pior é a ressaca.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

É por isto que eu adoro o mundo da internet.

Por Ana









Uma nota importante para o facto de ter visto estas imagens no meu feed de notícias do facebook em pouco mais de cinco minutos. É ou não é maravilhoso?

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Quem não chora...

Por Patife


É com lamentável consternação que me apercebo que a maioria das mulheres que conheço acha que estou sempre embriagado. Já tinha reparado em algumas indirectas mas nunca enfiava a carapuça - talvez porque estava mais preocupado a ver se lhes enfiava a minha carapuça dentro da dentuça. Mas as piadolas alusivas ao facto do Patife estar sempre com os copos sucediam-se. Ainda dei espaço de manobra para a hipótese de ser um problema de género: "Eu sempre com os copos? Não queres dizer que eu estou sempre nas copas? Mamas copas C e D então estou sempre lá caído." Mas não. Ontem uma lá me explicou a razão que fundamenta tal ignóbil teoria. Parece que aqui o Patife está constantemente a dizer: "estou todo grosso" ou "estou com a cadela". E as ingénuas pensam que eu estou a manifestar a minha ebriedade. Mas não é isso, minhas queridas. Eu explico. Quando digo que estou grosso é porque o Pacheco mais parece um bajolo a latejar e quando digo que estou com a cadela é porque estou prestes a afiambrar uma qualquer enguia com o cio acabadinha de engatar. O Patife é um gajo muito directo no seu discurso. Se estou grosso e o digo abertamente isso é uma sugestão para começarem a aquecer os músculos vaginais, labiais e anais e quando digo que estou com uma cadela e não está mais ninguém por perto é porque a cadela és tu e quero comer-te à canzana. Não há lugar para erros de interpretação! Parece-me lógico e nunca imaginei que pudesse ser mal entendido. Mas pronto. Prometo ser ainda mais directo. Eu sei que o facto de estar sempre com um copo de whiskey na mão vos pode induzir em erro. É certo e sabido que gosto de beber. Mas isso é porque o Patife é tão egocêntrico que bebe em excesso apenas para sentir o mundo a girar à sua volta. E funciona. Mas quando expliquei isto à moça, a sua expressão facial encheu-se de desilusão e começou a chorar. É inevitável pensar em sexo oral com uma mulher a chorar à minha frente. Pois sei bem que quando desatam a chorar à minha frente me estão a dizer explicitamente que me querem mamar no palhaço. É o apogeu do "quem não chora não mama", que de indirectas percebo eu.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Certas e determinadas coisas, nomeadamente diversas #7 - Semi-nuas em prime-time

Por Factos de Treino

Chegou o Verão e com ele, as reportagens do telejornal a mostrar a corrida às praias e os mil motivos que, ano após ano, justificam uma peça exactamente igual à dos anos anteriores.
Mas seja qual for o motivo da dita peça, há coisas que não mudam.
Os jornalistas continuam a fazer perguntas sem qualquer interesse como “Então e a água, está fria?“; a chungaria continua a gostar de mostrar-se com uma corrida para o mar e uma chapa na primeira onda que apanham; senhoras gordas, com uma excitação que não lhes cabe nos fartos peitos,  gostam de mostrar ao mundo o que trouxeram no farnel; e, algo que nunca falha, mulheres que nem sequer sonham que estão a ser filmadas, aparecem de bikinis reduzidos em pleno telejornal.
Depois de escolherem uma praia pouco frequentada e garantir que era o local adequado para tirar a parte de cima… PIMBA! Mamas de fora no telejornal!
Do chefe tarado aos amigos do avô, do mecânico aos professores dos filhos, está tudo a ver aquele corpinho enquanto jantam em família.
Maravilha.

PS: Estas peças, também têm uma edição de Inverno. 
Normalmente passa em Janeiro e começa com: “Já neva na Serra da Estrela“.

Palavras e palavrões

Por Gaffe

Cuidado com o que dizeis, rapazes, no Verão escaldante dos lençóis.
Ao contrário do que se pensa, uma rapariga não tem orgasmos múltiplos quando ouve impropérios durante o sexo. Pode fingir, mas não é de todo agradável desatar a miar e a gemer para convencer o menino que está a desenvolver um trabalho meritório ao usar a língua indevidamente.


A primeira vez que se atreveram comigo, chegou a ser docinho, mas confesso que em caso de hipoglicemia, prefiro comer um papo de anjo a ter de papar um anjinho com aspirações a macho dominador e vagamente porco.

Chamaram-me "putinha traquina". Bastou. O caso não teve repercussão grave. O rapazinho foi descartado ali mesmo e antes mesmo de se sentir feliz, sem carta de recomendação, o que significa que não o emprestei às minhas amigas para que o usassem em caso mais urgente.

Não suporto que me considerem traquina!

terça-feira, 23 de junho de 2015

arbiter elegantiarum.

Por Onónimo Quiescente

http://www.osmais.com/wallpapers/201308/natureza-praia-bote-wallpaper.jpg
um sítio assim



~ Ah, as Psiquiatras. Bem te avisei. ~

De facto. Mas será difícil sair daqui e regressar apenas no outono…


«Não. Iria estragar o momento.»


“Música?”

«Hmm? É perfeitamente adequado ao clima e ao humor.»


O Ó aplaude, estridente nos meus pobres ouvidos, raios o partam. “Fazemos outra coisa?”

«Pfff. Só pelo entretenimento meio absorto. Ou para ensinar às crianças o significado da existência de regras. Em que planície, nobres ou plebeus, enfrentamos o nosso adversário com igual exército e seguindo as mesmas regras?»

«Ah, Q., a maior parte das ocasiões nem sequer sabemos quem é o adversário até ao último momento. E a tua aversão ao excesso de formalismo devia recordar-te que seguir regras é a maneira mais rápida de ser devorado.»


“Pelo pensamento estratégico?”

Volta o olhar melancólico para o horizonte. «Aprendi xadrez com a minha Mãe.»
Não falamos durante um momento.
«Magnífico tirocínio para a mente jovem. E para tardes de poesia na arcádia.»

“Almoçamos há pouco. Corpo e mente ainda lânguidos. Nada melhor que Gin e Xadrez.”

Esboço de um sorriso divertido, parcialmente escondido pelos óculos. Observo-me em ténue reflexo. É estranho.
«Sinceramente Q., preferia estar na água.»


“E., por favor não me deixes vencer novamente. Há uma certa dignidade nonchalant em dar o nosso melhor e ainda assim ser derrotado por um intelecto superior.”

~
Duas espreguiçadeiras na pequena plataforma sobre a paliçada. 
Brisa indolente à sombra de palmeiras. O roçagar de água em areia. 
Uma mesa de madeira. Duas bebidas geladas, talvez white lady. Não presto atenção.
Ela contempla o horizonte distante. 
Eu contemplo outro horizonte.
Ela sente-o e não reage, provocação implícita na atitude.
Organizo as peças sobre o tabuleiro de viagem, reservado, pela fotografia mais recente. 
Desconfio secretamente que Ela recorda sempre todas as posições.
Talvez evite o paternalismo por pudor. 
Começa assim…


(ae #1.1, Gin & Xadrez)