domingo, 4 de outubro de 2015

Aquela pessoa #6

Por Maria das Palavras



Que acaba todas as palavras em -inho e -inha, usando o diminutivo quer esteja a fazer festas a uma criança, a conversar com um amigo da mesma idade ou a resolver questões burocráticas numa repartição das finanças:
"Ora, pega aqui no papelinho e deixa uma assinaturazinha, que eu depois trato de tudinho."
E a seguir vai para o c***lhinho? (só para rimar)

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Soutiens à solta

Por Patife


Ontem estava a chegar a casa após um árduo e duro dia de caralho quando me cai em cima da cabeça um soutien. Oh sorte, isto é que é uma sina. Passo o dia inteiro a pinar, ainda para mais uma delas era casada e mal fodida, o que me obrigou a tirar todos os truques da cartola para a deixar devidamente aviada e com a chona amestrada pelo menos durante uma semana. Foi um dia intenso e agora, cavalheiro e educado como sou, tenho de ir devolver o soutien que caiu do estendal. Pelo soutien consegue-se saber muito sobre uma mulher. Assumi que tinha uns trinta e poucos, que gostava de festa rija e pelo tamanho que tinha o soutien devia sustentar uma bela chicha de teta. Apesar de ter sido um dia longo, quase tão longo como o bacamarte que hospedo entre as pernas, tinha de ir devolver o soutien à rapariga e, claro, ver o par de chuchas que se acomodam dentro daquele soutien de proporções generosas. Entre os estendais com roupa e uma pequena conversa com o merceeiro, rapidamente encontrei as mamas do soutien. Por breves instantes senti-me o príncipe da Cinderela, a andar de porta em porta para encontrar o par de tetas que cabiam em tão elegante soutien. Lá a encontrei e assim que me abriu a porta, estendi o soutien devidamente dobrado e perguntei: “E se um desconhecido lhe oferecer um soutien que já é seu?” Ela ficou meio atrapalhada, até porque estava se shorts e um top sem soutien. Entreguei o soutien e fui para casa pensar na rebaldaria que devia estar a ser debaixo do top, com mamas daquele calibre sem soutien para as controlar. Agora que sei que tenho uma mamas daquelas como vizinhas estarei devidamente atento. E não sou Patife não sou nada, se não enterrar o meu glorioso nabo naquele mamaçal que mais parece uma pista de aterragem de proporções perfeitas para sustentar o meu Pacheco.

Queridos violadores, sequestradores e pedófilos deste país

Por Vera

Apresento-vos a blogosfera.

Um local onde apenas com um clique podem ter acesso a todo um mundo de oportunidades. Um local onde as mães expõem a intimidade dos filhos todos os dias. Um local onde se publicam fotos de crianças, mais e menos íntimas, demasiadas vezes mais íntimas do que aquilo que seria de esperar. Um local onde se contam os segredos mais secretos dos filhos. Um local onde terão acesso a informações preciosas de presas fáceis. Um local onde, com apenas alguma atenção, saberão muito facilmente onde encontrar as crianças. Um local onde os pais partilham a escola que os filhos frequentam, o sítio onde moram, as actividades, os horários e as rotinas dos miúdos. Um local onde ficam a conhecer toda a família e os seus hábitos. Um local onde podem invadir a privacidade das famílias e das crianças sem ninguém notar a vossa presença. Um local onde são os pais que vos abrem, que vos escancaram as portas de casa. Um local onde aparentemente não há momentos de lucidez e ponderação. Um local onde os números de visitas e o retorno financeiro que delas provém compensa tudo o resto. Um local que é alimentado por pessoas que provavelmente não têm amigos, familiares, conhecidos, vizinhos, alguém que lhes explique os riscos que correm, ou que faça seja lá o que for que ponha em causa a sanidade mental e a capacidade de protecção dos menores.

É assim a blogosfera, estejam à vontade, sirvam-se, por favor.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Uma mulher mal-apaixonada é um arrumador de carros

Por Maria das Palavras


Aponta caminhos que o condutor já conhece.  E ele não tem muita vontade de dar a moedinha, mas a bem da verdade precisa de estacionar o carro.

Creio que todos conhecemos o síndrome do mal-apaixonamento, nem que fosse aquela pancada que tínhamos no secundário pelo rapaz mais giro da turma do lado. Que todos cometemos o erro de sermos demasiado disponíveis para pessoas que não merecem a nossa atenção. Não é que essas pessoas, alvos do nosso pseudo-desejo, sejam obrigadas a apaixonar-se de volta sempre que queremos, mas falamos dos casos em que a outra parte sabe e se aproveita disso. Falo dos pega-braguilhas.

Falo de aceitarmos qualquer moedinha para a próxima dose de atenção. De esbracejarmos para dizer "está aqui, está aqui". E ele engata a marcha, porque no fundo não vê lugar melhor naquele momento em particular. E nós temos sempre uma solução. Não guardamos o lugar para alguém que o queira mesmo  e nos estenda antes uma nota em vez da moeda de 20 cêntimos que lhe sobrou no bolso - é que as moedas de 2€ já tinha posto ontem na máquina da EMEL.

Peguem na moeda de 20 cêntimos - que para isto ao menos serve - e considerem por um breve momento riscar o carro de uma ponta à outra. Deixem-no na dúvida de quando o farão, mas nunca o façam, que aquele condutor não vale a vossa dignidade e as doses que providencia não alimentam, nem chegam para matar a ressaca. Procurem uma droga mais poderosa e de reservas infinitas. Há quem lhe chame amor.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Como pode alguém que nunca me conheceu, saber tanto sobre mim?

Por Uva Passa

"Anos antes fora uma rapariga que se sentia perdida, isso sim. As esperanças da juventude pareciam já todas mortas, tinha a impressão de decair para trás, na direcção da minha mãe, da minha avó, na cadeia de mulheres sem voz ou irascíveis de quem descendia. Oportunidades perdidas. As ambições ainda eram ardentes e alimentadas pelo corpo jovem, por uma fantasia que somava um projecto a outro projecto, mas sentia que o meu frenesim criativo era cada vez mais isolado da realidade dos tráficos da universidade e pelos oportunismos de uma possível carreira. Parecia-me prisioneira dentro da minha própria cabeça, sem possibilidade de me por à prova, e estava exasperada."

Elena Ferrante in Crónicas de um mal de amor (A Filha Obscura), pág. 336 

terça-feira, 22 de setembro de 2015

amando

Por M.J.

não gosto de criancinhas. 
não gosto do choro, das birras, da necessidade de atenção constante, do facto de encontrar uma colada às mamas de alguém em situações inusitadas (nada contra, excepto se for, por exemplo, na minha pastelaria habitual e eu for obrigada a comer torradas com alguém à minha frente a esguichar leite), das bochechas bolachudas que todo o mundo entende ser uma beleza. 
não suporto a ideia do parto (pelo amor de deus, não venham com histórias que é bonito. necessário pode ser, mas bonito? estamos a falar de alguém toda escachada, ao género de frango de churrasco, com aquilo tudo aberto e rasgado, cocós pelo meio, gritos de horror puro e uma cabeça a sair por um buraco onde, enfim, normalmente, não entram coisas tão largas).
desprezo mulheres que vivem por e para os filhos, que lançam lindas pérolas (estudos mais do que comprovados) de que eu só vou entender quando for mãe, ou que o mundo só ganhou sentido depois que produziram aquele pedacinho de carne (quão triste deve ser a vida de alguém que apenas encontra o seu caminho após produzir outra pessoa?) e ainda aquelas que, tendo vergonha de dizerem que são domésticas (não há mal nenhum nisso), que decidiram parar de trabalhar uns tempos (eu já o fiz) mascaram o facto de não trabalharem profissionalmente apelidando-se de "mães a tempo inteiro". (o caralho. vão-me dizer que nem dormir dormem, querem ver?)

ainda assim, reparem, se um dia for mãe (o cosmos é engraçado e pode querer castigar-me) não creio que consiga impor à criancinha as torturas gigantes que as mães dos blogs lhes fazem.
essas mães.
que há mães que só escrevem sobre criancinhas, sabem? que só escrevem sobre o que pariram num eterno gesto de amor. mães que partilham fotos das criancinhas na cagadeira (sim, sim, todos vimos isso e se for preciso eu disponibilizo meia dúzia de links), na praia, no lago, ao pequeno-almoço. que lhe vestem babetes e laçarotes e mostram a quem quiser ver, seja a outras mães, seja a não mães, seja a avós, seja a avôs, seja a senhores procurados pela justiça por estraçalhar meninos nos intervalos.
as mamãs dos blogs, que se sacrificam meses em casa, que deixam de lado as suas carreiras e que aceitam apenas por gratidão um dinheirito para fazer publicidade à margarina e a hotéis, publicam fotos das criancinhas, que pariram e do qual davam a vida, unicamente por amor
não é tortura, não é apropriação, não é tentar ganhar a vida à custa da imagem da carnezinha que produziram. 
não, q´horror. 
essas mães acham as criancinhas fofis, todas elas bonitas, os cocós todos cheirosos e as birras como expressões da personalidade individual (que eu não teria nada contra se não me moessem os ouvidos nas filas do supermercado ou em restaurantes).
melhor que isso, entendem que todo o mundo é assim. e quem é não devia.
essas mães sabem o que é certo ou errado, ensinam como ser mãe a sério, dão conselhos úteis e expõem, porque o amor é uma partilha, as fotos fofinhas das criancinhas ao mundo unicamente numa missão doutrinária. 
não é por dinheiro, não é por presentes, não é por mais nada.
nada interessa na exposição do amor:
nem mesmo o pedófilo que bate uma a olhar, com arzinho inocente, os meninos lindinhos, semi-nus, na praia, com as cuequinhas que o patrocinador ofereceu para aparecer na foto.

ah, a beleza do amor mais puro.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Vamos às legislapiças

Por Dinona

Adoro alturas de eleições. É a altura perfeita para eu mandar o meu bitaite de ignorante sem ser apedrejada em praça pública. Nasci para ser política de bancada e criticar todos os políticos, principalmente, porque eles têm dinheiro e eu sou tesa pelo que tenho de lidar com a dor de corno da melhor forma que posso.
Estradas limpinhas, guias pintadas de fresco, alcatrão novo, jardins verdejantes, lixo recolhido a tempo e horas e funcionários do estado levemente mais sorridentes (vá, para aí 1%) é tudo o que podemos pedir. O País pode andar na miséria mas quando chegam as eleições, alto e pára o baile, que há dinheiro para tudo e mais um par de botas. Eu e a suspensão do meu Twingo até agradecemos estas medidas de chantagem emocional mas como eu tenho um travinho de psicopata estas coisas não pegam comigo e não voto em nenhum desses malandros.
Apesar de todos os pontos positivos que acima enumerei o verdadeiro motivo pelo qual que eu gosto mesmo muito de votar é porque tenho a oportunidade de ir à mesa de voto e desenhar anonimamente pequenos caralhinhos e seus testículos com muitos pintelhos no boletim de voto, dobrar em quatro, fazer o meu ar angelical, introduzir na ranhura e imaginar a cara da pessoa que irá fazer as contagens. Não há nada mais divertido que uma surpresazinha javarda!

Isto para dizer que por mim havia eleições todas as semanas até porque os políticos quando estão no mesmo poiso mais do que cinco dias úteis têm tendência a fazer porcaria da grossa.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Quando o rei faz ânus

Por Patife


Esta manhã acordei com um desejo fervoroso de meter aqui o pimpolho no primeiro entrefolho que me aparecesse à frente. É um desafio perigoso se pensarem bem, pois não podemos controlar a qualidade da marafona que nos surge primeiro diante da vista. Mas há dias em que um tipo deve ser fiel aos seus princípios e aos seus desejos. Além disso, como sempre segui a expressão "a ocasião faz-me o tesão" decidi lançar-me à berlaitada na primeira crica que me desse os bons-dias. Assim foi. Desço as escadas do meu terceiro andar sem elevador, isto de olhos bem fechados para não trombar com a Dona Guilhermina, uma velha vizinha chata que tem todo o ar de ter cona de foca - com bigodes e a cheirar a peixe, portanto. Então lá fui descendo aos repelões e às apalpadelas, a agarrar tudo como se fossem as tetas da sueca do segundo direito, não fossem elas, quer dizer ela, aparecer pela escada e eu perder tal oportunidade mamaçal. Ainda nem tinha aberto a porta da rua e já estava a ouvir uma gargalhada feminina mesmo a passar em frente. Aquela mulher gargalhava como ninguém. Direi mesmo que tinha um bom gargalho. Já eu tenho algo foneticamente muito semelhante. Mas maior. Analisei, então, e em breves segundos, a dita gargalhada e como fiquei com a pichota bem-disposta, continuei o movimento de saída para a rua. De facto a gargalhada era boa, mas a trenga não valia uma beata. Aliás, já conheci beatas mais apetitosas lá na terra da senhora minha mãe. Mas o Patife é um homem de palavra, por isso levou a sua avante. Já ela levou com a minha por trás. É uma variação do jogo "Quando o rei faz ânus". Foi até fazer faísca.

À procura do zero

Por Linda Blue

Pronto, tinha várias ideias em mente, que é o que me acontece quando não tenho nenhuma. Perguntei o que é que preferiam que eu fizesse, se o pino contra a parede ou uma lição de Origami — tudo coisas que não sei fazer, mas aprendia só para vózês —, se um tutorial youtuber sobre como tirar nódoas de um vestido verde — em vários episódios, sendo que, no último, as p. das nódoas não saem, mas ele fica com um fedor bom, ai, desculpem o spoiler, ou lá como é que se diz, e também o mau jeito —, ou ainda se queriam que eu falasse da minha vasta experiência em enfrentar lagos de chichi e montanhas de cocó, apostos em todo e qualquer material que possuamos em casa, ou, em alternativa, vomitado. É que eduquei uma pessoa, de entre as várias que coloquei em o vosso planeta, que regurgitava com uma tal avassaladora frequência e em inóspitos recantos da casa afora e fora dela, que me forneceu, quase à bruta, um workshop subordinado ao tema Apanha o vomitado antes que escorregues nele e faças um traumatismo cranio-encefálico mal-cheiroso que nenhum médico giro vai querer tratar, ainda que de work lhe tenha conhecido todas as vertentes, mas de shop nem uma, a menos que consideremos a quantidade de detergentes que cada aventura gástrica das que vivi me fez despender, embora não as tenha vivido na primeira pessoa, porque até isso me foi vedado, tendo sido a protagonista outra, e eu relegada para segundo plano, ou actriz secundária, e só podendo aspirar (de aspirador em riste) ao papel principal caso se desse um turn around na porcaria da situação de porcaria, e o filme fosse titulado mais ao menos ao nível de Que bela empregada doméstica que me saiu na rifa.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Aquela pessoa #5

Por Maria das Palavras



Que responde a tudo com expressões populares ou provérbios. Como se não existissem websites com frases motivadoras que eu pudesse ler se quisesse respostas mecanizadas.


- Então tudo bem?
- Estamos como Deus quer. E tu, aquele projeto?
- Vai-se andando, as coisas avançam devagar.
- Devagar se vai ao longe!
- Sim, mas não sei quando é que esta fase acaba.
- (mão no teu ombro) Também isto há-de passar.
- Mas temos tido sérios problemas.
- Deixa lá, depois da tempestade vem a bonança.
- Olha que há muita gente que não acredito que isto vá ter sucesso.
- Pois, mas os cães ladram e a caravana passa!
  (...)
- Olha, passas-me aí o sal?
- Sol e sal livram a gente de muito mal.

[Ok, sou capaz de estar a exagerar um bocadinho. Mas vocês conhecem estas pessoas. certo?]

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

e depois veio a M.J. e disse:

o mundo é um lugar idiota e eu ando no meio dele.
incapaz de compreender o que me rodeia, incluindo
i) mamãs e papás que definem que o amor é parir e que, ao mesmo tempo, partilham fotografias das crianças na cagadeira;
ii) pessoas que passeiam cães vestidos;
iii) gente que defende que a obesidade é uma maravilha e que a sociedade tem de aceitar diabetes;
iv) quiduxos que não são capazes de rir com humor negro mas que desatam a gargalhar com o fernando mendes....

proponho-me a mostrar ao mundo o mundo que vejo, juntando vernáculo, mau humor, um feitio que ninguém atura (nem eu) e que exploro até ao limite das minhas capacidades (poucas) com um cinismo de que me orgulho e uma ironia tão mal feita que ninguém entende. 
sei de fonte provada que é isso mesmo.
tenho muita experiência disso aqui.

notas importantes que devem saber:
* escrevo com minúsculas porque é mais fácil, visto que o sapo e, pelos vistos, o blogspot não actualiza automaticamente;
* sou trapalhona como a merda pelo que há muita gafe de escrita, que é como quem diz, vírgulas, onde, não, deviam estar, assentos, fora do sitío, troca de s por c e assim, há por à e coisas do genéro (vá, pronto, aqui foi propositado).
* uso o palavreado feio, vulgo palavrão, por uma questão de reafirmar ideias e esconder certas fragilidades.
* tenho como ódios de estimação criancinhas, mãezinhas, coisinhas fofinhas e merdinhas que põem nas cabecinhas das criancinhas depois de paridinhas.
* sou normalmente do contra, até contra mim mesmo, pelo que é possível que se encontre alguma hipocrisia.
* a pessoa que escreve a personagem M.J. não é a M.J. 

posto isto, terei sempre o cuidado de fazer uma nota inicial, nos dias em que aqui escrever, para que tenham a possibilidade de saltar à frente.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Olá, eu sou A Loira e não sei o que estou aqui a fazer

Aceitei o convite e agora o remédio é desemerdar-me e escrever. Sobre o quê ainda não sei bem, mas podem ter a certeza que será sempre sobre coisas sem jeito ou interesse absolutamente nenhum. É exactamente neste registo que mantenho o Também quero um Blog, desde o ano santo de 2009. 
Quem me conhece sabe que a única coisa sobre o que escrevo mais ou menos bem é sobre bicicletas, mas aqui não posso sequer pensar nisso porque a Senhora Dona Pipinha, que fez o favor de me enviar o convite para estar aqui, detesta ciclistas e não os pode ver sem ter uma vontade desmesurada de lhes passar com o carro por cima. Sim, ela precisa urgentemente de consultar um psicólogo e não será por querer passar a ferro todos os ciclistas que lhe aparecem à frente, será mesmo por ter tido a ideia de me enviar o tal convite. Para que abone a meu favor, não sou ciclista de estrada, sou bttista e tenho uma cena com a Filipa desde que comecei o meu blog, por isso não poderia recusar nem amarrada a uma árvore, coberta de açúcar e no meio de um formigueiro.
Apesar de não conseguir assumir compromissos e até mesmo o meu blog ser abandonado incontáveis vezes vou tentar publicar aqui sempre que me seja exigido sobre tortura. Aviso já que aqui em casa até os cactos morrem à sede. Já perceberam aquela parte do não sei o que estou aqui a fazer, não já? 
Fiquem desde já a saber que sou uma gaja do norte e gosto de pensar que é exactamente por isso que é difícil encontrar um post escrito por mim que não tenha um palavrão, não faço revisão dos textos e só escrevo sob inspiração, coisa que me surge de 10 em 10 minutos, sempre quando não tenho onde apontar as ideias e me desaparece milésimas de segundo depois. Quando acontece de me surgir a tal da inspiração e estou em frente ao teclado aproveito para publicar e arrependo-me sempre uns minutos depois porque acho que não escrevi nada de jeito. O que ando eu a fazer pela blogosfera será para todo o sempre um indesvendável mistério, mas o certo é que a partir de hoje estou também por aqui, a única coisa que posso acrescentar é: não entrem nesta página nos dias em que for eu a publicar.

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Foi sempre assim?

Por Uva Passa

Foi sempre assim.
Primeiro o deslumbramento.
Como uma debulhadora incansável que tudo come, tudo quer, tudo deseja.
E depois, vem um frio gélido que se chama esmorecimento e parece que alguma coisa se desliga dentro de mim. 

E volto a ser aquele ser banal, dividido entre as dunas e o mar, sem encontrar na praia nada mais do que a fina areia e pequenas pedrinhas reluzentes.
O meu doce durar, como se eu fosse uma onda pequenina, que se agiganta na rebentação, quase poderosa, quase destruidora, mas que ao galgar a areia, tentando chegar ao rochedo, fosse sugada por ela, molhada e faminta, que deixa apenas, por pena, pequenos e perfeitos buraquinhos, para que eu consiga (ainda) respirar.
O doce durar. O ir e vir. E nunca chegar a lugar absolutamente nenhum.
O motor que tudo consegue, que tudo galga e conquista, morre, deixando-me numa tristeza muito parecida à frustração de não ter ido mais além - e a culpa é toda minha, que sou inepta - e a certeza de que se o fizesse (como fizeram e fazem ainda todos os outros que agora são felizes com as suas vidas, os seus hobies, as suas certezas), seria tão somente um sorriso com uma cara e não uma cara com uma boca fechada, crispada e constantemente insatisfeita.
Tudo me parece demasiado complexo, e caro.
E infinito.
Apesar de tudo tento inspirar-me, há feitos pessoais que me encantam, ahh se eu pudesse alcançar aquele Caminho, ahh se eu pudesse escrever aquelas linhas, ahh se eu pudesse gostar tanto assim.
De mim.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Boys will be boys

Por Gaffe




É inacreditável a quantidade de rapazes que, com o telemóvel topo de gama, que traz GPS incorporado, alta definição, ligações à NASA, compadrios com a NATO e, suponho, dispara mísseis rumo ao Afeganistão, se fotografa em tronco nu (sou uma rapariga moderada) na frente de um espelho!

Mais inacreditável ainda é o facto de não perceberem que se tornam patéticos, com os seus abdominais poderosos, peitorais distendidos e boxers descaídos, de braço estendido e sobrolho carregado, posando, Valentinos de pacotilha, para um fotógrafo que coincide com o fotografado.

Suponho que as imagens fazem prova da sua excelente forma física (diria a Caras) e do orgulho revelado por estes espécimes que exibem, garbosos, os únicos dotes que parecem possuir, mas acabam por coadjuvar a convicção que temos da imbecilidade dos modelos.

Nenhuma rapariga esperta se deslumbra com um narcísico reflexo de um rapaz que supõe que uma imagem sua captada com uma luz miserável e onde, numa significativa percentagem dos casos, se vislumbra um gel de banho com um ar ranhoso, é absorvente, sensual e capaz de despertar a fera do desejo.

Acreditem, rapazes, que o cenário é de extrema importância. Fotografarem-se, semi-nus, com a sanita ao fundo, ou com o papel higiénico em primeiro plano, é o mesmo que nos tentarem seduzir, num paraíso solar, passando por nós de fio dental todinho enfiado nos dentes de trás.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Meu nome é Blue. Linda Blue

Olá. Eu sou a Linda Blue.
[Agora é o momento em que vocês proclamam a uma só voz: Olá, Linda Blue.]
E tenho um problema.
[E vocês: Estamos contigo, Linda Blue.]

Por qualquer motivo que me escapa — os motivos, a mim, escapam-me como melgas, ou peixes pescados à mão —, fizeram-me o favor de me convidar para escrever no Desblogue d'Elite. E agora tenho este menino nos braços, gordo, chorão, mamão. Não sei o que lhe faça para o contentar.
Já fui Linda Porca, por ter criado o meu buraco num dia de grande chiqueiro mental. Curiosa esta minha compulsão para explicar, com versões diferenciadas e antagónicas, a origem do nome Linda Porca, de cada vez que alguém me pergunta porquê (ou melhor: porquê!!!???). É facto que já dei várias versões como resposta, qual tragédia em vários actos. Por isso, concluo que todas são mentira ou todas são verdade. Eu própria não sei muito bem. Sei só que, enquanto uns liam Tolstoi, heterónimos e ortónimo pessoano, eu via filmes da Disney e cuidava de pessoas a sério. E isso pode ter condicionado o meu nível cultural para todo o sempre, como aquilo do foram felizes, que dá imediatamente antes dos créditos finais. O que não quer dizer que eu não seja uma pessoa séria, daí agora até me chamar Blue, e olhem que ainda ontem uma senhora, com idade para ser minha avó, me perguntou se eu já tenho netos.

Se no meu pequeno recanto blogobólico, e um nico diabólico, sou capaz de fazer uns loopings em que eu própria me ponho na plateia a revirar os olhos e a escancarar a boca (por vezes, em alternativa, também entro no modo olhos semi-cerrados, boca semi-aberta, corpo semi-frio, toda eu semi), só à espera de ouvir o estrondo final, dificilmente poderei prometer textos de uma qualidade superior, seja lá o que isso for, porque me enredo e me enrolo nos meus novelos e nas minhas novelas, perco o fio à meada, o fio condutor e o fio de prumo, e chega a tornar-se impossível tecer bordados bonitos com o emaranhado que faço das minhas ideias. Enfim, para quem ainda tinha dúvidas, acabei de fazer um com alguma veleidade.

Contem comigo, para o que der e vier, mas, sobretudo, para o que der: eu sou só isto, escrevo muito em quantidade, por ter um teclado excelente, e em mim agrilhoada uma pianista frustrada (para além da varina e da rebelde sem causa). 

Não sei muito bem sobre o que é que hei-de falar, mas nunca me calo. Podia, pois:
1. Contar a história da minha vida, que não dava um filme (a menos que o categorizemos com a letra B que era dada aos filmes maus dos anos 40 de outro século), longa metragem onde fica quase claro que educar quatro pessoas ao mesmo tempo é tarefa para brutas e envolve muito sangue, suor, lágrimas, cocó e vomitado; 
2. Relatar-vos, uma a uma, porque tenho esse registo, as 69 (trata-se de um número de dois dígitos, ou há mais alguma leitura possível?) aulas práticas de condução que levei (ou que dei?), à laia de novela por episódios; 
3. Enveredar por temas pedrada-no-charco — Paixão por um/a blog/ger, aquele tema nunca aflorado, quanto mais desflorado; A anónima que não existe, porém marca presença nas caixas de comentários; Diz-me como és, dir-te-ei o que escreves e, principalmente, como escreves; etecetera. 
4. Escrever sobre o que me passar pelo neurónio sobrevivo.

Como vêem, não tenho um assunto de elevado interesse, e é por isso que vos peço que decidam vocelências por mim, que eu ainda não estou refeita, contrafeita, nem rarefeita do embate provocado pelo convite-proposta-indecente, e não estou em condições psiquiátricas para ser eu a decidir, que, essas, estão ao nível da subcave do Hades, para onde espero ir um dia, quando um dia já não forem dias. Acabo sempre por falar de mim mesma, em mim mesma considerada, isto é, a minha visão do mundo sem óculos. E, assim como sou o fenómeno da oftalmologia moderna mundial, e tenho exactamente zero vírgula vinte e cinco dioptrias em cada olho com esta provecta idade com que aqui me tendes, vejo o mundo sem desfoques, sem lentes, com todas as suas nuances de cor e de luz e, a maior parte das vezes, a azul e azul — da cor do mar.
É para tentar mostrá-lo que aqui estou. 
Referia-me ao meu mundo. Genitais.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Os amores certos da vida

Por Maria das Palavras

Imagem Pixabay (free images) - https://pixabay.com/en/old-age-youth-the-hand-grandmother-360714/


Tropeçamos uma vida a tentar encontrar um amor a saber a certo. Não o encontramos naquele par de olhos azuis (ou seios redondos). Não o encontramos na esquina daquele bar ou no outro lado da estante da biblioteca. Não está nos corredores da faculdade a esconder um cigarro. Não é tipa de olhar guloso que trabalha nos recursos humanos. Não é o filho-de-uma--pêga do nosso ex que nos prometeu o mundo e nos deixou com uma freguesia isolada em Trás-os-Montes. Não é a mãe dos filhos que nos chupa o ordenado até ao tutano com a pensão de alimentos - diz que é para os filhos, mas trocou de carro três vezes nos últimos dois anos. Não é o playboy que te prometeu que contigo era diferente.

Não identificamos os amores certos como se nunca os tivessemos conhecido. E afinal até conhecemos.

São os amores perfumados de sopas de café e mantas ao colo ou pelas costas, copos de água todos diferentes, revistas do Reader's Digest espalhadas pela casa, passeios pela mão, ou de carro para ir encher garrafões de água à fonte, saber como se debulha o feijão e a que sabe o pão amassado a quatro mãos - uma par grande e enrugado, um par pequenino. Às vezes procuramos em desconhecidos (tantos) o amor verdadeiro e incondicional e esquecemo-nos que já o sentimos. Parabéns avó.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Salvar o dia (em torno de al berto)

Por Patife



todo o santo dia bateram-ma torta. as pálpebras não as abri, não me apetece ver pessoas, ninguém.
fodi muito, de tarde e pela noite dentro.curiosamente, hoje ouve-se o mamar como se estivesse dentro da alma. o vento deve estar de feição. a ressonância das mamas contra o pacheco sobressalta-me. desconfio que se disser "vem-te!" em voz alta, outra chona entra pela janela.sou um homem privilegiado, ouço-as a mamar ao entardecer. que mais posso desejar? e no entanto, não estou alegre nem apaixonado. nem me parece que esteja feliz. fodo com um único fim: salvar o dia.

Dinona chamada à recepção!

Poderia dizer muita coisa sobre esta maravilhosa criatura que tanto põe sorrisos como leva pessoas a arrancar cabelos mas nada melhor do que um breve texto elucidativo falado na 3ª pessoa do singular, como se de uma biografia manhosa se tratasse, para enaltecer as suas qualidades. Este texto também irá esclarecer todas e quais queres dúvidas que possam surgir pelo caminho evitando assim o recurso a perguntas tótós.

A Dinona (Didi para os amigos) nasceu na Maternidade Alfredo da Costa, mais conhecida como Aviário Nacional no ano de mil novecentos e coiso, ano esse, que se revelou o melhor para nascer segundo um estudo altamente conceituado feito pela mesma e sob supervisão do Instituto Nacional de Estatística dos Estudos Fictícios.

Desde tenra idade que demonstrou ter jeito para rigorosamente nada e até aos dias de hoje tenta encontrar o seu lugar no mundo, de preferência, a trabalhar numa morgue longe de pessoas vivas ou numa caverna no Ártico mas como o Universo adora encavá-la à grande, pô-la a trabalhar no atendimento ao público e desde aí que a sua misantropia atingiu níveis nunca antes vistos! 
É uma jovem cheia de espírito e flatulência, bem disposta e inteligente (quem diz o contrário é mentiroso e deveria ser açoitado). Não joga com o baralho todo mas é uma jóia de moça. É também autora do famigerado blog “A Nona Teoria” onde adora fazer queixinhas de tudo e todos mas sempre com humor, ironia e sarcasmo.
Ela nunca irá superar o facto de não ter nascido rica e nunca irá parar de contar anedotas secas e parvas, tais como: Vão dois dinossauros a passear no Rossio e a comer semáforos. Vira-se um para o outro e diz "Epá. Não comas esse, que esse ‘tá verde" (Ba Dum Tsssss).

Esta é a Dinona e a partir de agora o vosso mundo mudou.

P.S.- Esqueci-me de referir que ela é humilde. Um poço de humildade. Um poço tão fundo que nunca mais encontram a humildade se eventualmente a deixarem lá cair.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

O direito à resposta que me assiste

Por Filipa Brás

Lembram-se disto?

A Bad, um amor de miúda, respondeu prontamente ao meu pedido de ser a blogger do mês aqui do tasco, do mês de Julho, e mal dei conta dos primeiros acordes da sua sinfonia que era composta pela raça dos meus cães, disse logo: esta quer é conversa.
Ficou logo ali decretado por mim que eu, Filipa Brás, fervorosa militante dos cães de raça - menos dos caniches, essa raça do demónio, criada por um qualquer serial killer para que na eventualidade de não terem nada à mão com que matar as suas incautas vitimas, matava-as dos nervos com esta merda destes cães- que havia de lhes defender a honra e explicar porque é que tooooooda a gente deveria ter pelo menos um Bulldog Francês.
O Bulldog Francês caga-se como um pastor alemão se caga, como um poodle se caga, como um yorkshire se caga, acho que já deu para se perceber a ideia. A questão é que o seu sistema digestivo é sensível e o seu dono tem de ir roubar bancos ou velhinhos, que agora até está muito na moda, para que o possa alimentar com o salmão mais puro das águas mais gélidas e virgens dos Antárcticos mais calmos. Se não está disposto a isso, mame o peidinho e que lhe sirva de castigo.
Depois essa história do ressonar, meus amigos, puro exagero, o meu marido ressona, o meu marido acorda-me, acorda os putos, acorda os cães, acorda os gatos durante a noite.
Várias vezes. 
Vou abandoná-lo? Vou dá-lo para adopção? Não, dou-lhe uma mocada nos rins, ele vira-se para o outro lado e conseguimos dormir mais um pouco.
Se são assim, tãããããããão sensíveis é melhor, de facto, pensarem noutro animal doméstico. A minha cobra não acorda, por exemplo. Pensem nisso.
Os cães TODOS comem merda. Ou cócó, como diz a Bad. TODOS e SEM EXCEPÇÃO. É lá um chip torto que eles trazem, uma chatice. Uns rebolam na merda, outros comem-na, outros só dão uma lambidinha, esta preferência não é exclusiva da raça. Há quem diga que é carência vitamínica, eu digo que é só estupidez, os cães são um bocado estúpidos.
Cada cão tem a sua tara e a sua mania. A minha Chanel, 



só quer sopas e descanso, sai mesmo à dona. Por ela, os dias eram passados entre mantas e entre comida. Não precisa de mais nada para ser feliz. Não estraga nada, não rói nada, um amorrrrr.
Já o Zé, 




(não se deixem enganar por este olhar meigo e sofredor. Eu deixei e olhem como estou velha e acabada) 

faz jus à raça, parece um boi, não pára nada, vai tudo à frente e o meu João que o diga, até voa. Já perdi a conta às taças de comida que já rebentou, às camas que já comeu, aos tapetes que já desfez. Ah, é cachorro. Pois...

Estas características não são exclusivas do subvalorizado bulldog. São características comuns a todos os cães, à excepção das físicas, claro. Os meus dois parecem de raças distintas de tão diferentes que são. As únicas coisas que têm em comum são a boa disposição, a inteligência, o gosto por passear, a paixão pelos donos, pela comida e pelo sofá, a teimosia e são um bocadinho surdos.
Se calhar estou a exagerar.
São muito surdos.
Totalmente surdos.

E eu já não saberia viver sem eles.


sábado, 29 de agosto de 2015

Tirem-me deste filme!

Por Gajo Porreiro



Nunca fui de dar confiança a quem não conheço bem, o que sempre correu a meu favor. Não que isto signifique que não sou sociável, porque até sou. O segredo, está em reduzir o número de pessoas que conheço a um grupo que realmente mereça a minha sociabilidade e mostrar-lhes que fizeram bem em não ir embora. 

 “Que grande coirão, foda-se! Quem é que este gajo pensa que é?”, é a primeira impressão com que fica a grande maioria das pessoas a meu respeito. Tendo noção disso, não só não me importo, como nada faço para a alterar. Amigo não empata amigo e só faz falta quem está.

Vivemos tempos em que a nossa vida é, com alguma frequência, assunto de conversa quando não estamos presentes e o advento das redes sociais veio ilustrar essas tertúlias, que escrutinam ao mais ínfimo pormenor, as fotos publicadas por quem é o tema da conversa. “Viste a foto que o G publicou? Que gaja tão boa, meu… A M é que deve ter ficado toda fodida com ele e um dia destes, o gajo chega a casa e tem os tarecos à porta”.

O que é que eu tenho a ver com o facto de A andar enrolado com B, ou que C tenha comprado um carro da marca X, quando teoricamente não ganha o suficiente para isso? Nada, zero, népia, caguei para isso. Conversas dessas causam-me uma irritação que leva a comichões, que por sua vez me obrigam a sair, o mais depressa possível, de perto de quem as está a ter.